Cada categoria de dor tem um mecanismo diferente e a resposta ao tratamento também varia
A dor é classificada principalmente como aguda, intensa e de curta duração; ou crônica, que dura mais de três meses. Já a dor nociceptiva resulta de lesão do tecido, que pode ser o músculo ou cutânea (pele), a partir de uma inflamação. A neuropática é provocada por danos nervosos, especialidade do neurocirurgião geral.
Há, ainda, a dor nociplástica, que é resultado de alterações na forma como o sistema nervoso interpreta os sinais de dor; e a dor psicossomática, que tem origem em fatores emocionais ou psicológicos. Diferenciar e identificar os tipos de dor auxilia no diagnóstico preciso e, consequentemente, no tratamento adequado.
De acordo com a Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED), “em geral, a palavra dor tem múltiplos sentidos, porém, sempre relaciona-se a sofrimento. Dor é multidimensional”. A dor é o sinal que o corpo envia para indicar que algo não está bem.
A SBED faz diferentes formas de classificação: por duração, por origem, por mecanismo ou como se manifesta no corpo. Dores agudas, crônicas, neuropáticas, nociceptivas, nociplásticas, psicossomáticas, cada uma tem suas causas prováveis e respostas terapêuticas diferentes.
Tipos de dor: entender diferenças evita confusões comuns
Um dos tipos de dor é a aguda, que surge de forma repentina, geralmente em resposta à uma lesão ou inflamação recente, podendo durar dias ou semanas. É uma espécie de aviso, levando o paciente a buscar tratamento. De acordo com a SBED, é a dor biologicamente benéfica, que auxilia no diagnóstico da doença e é geralmente curável.
Relatório publicado pela International Association for the Study of Pain (IASP), lista uma série de condições e doenças que causam dor aguda: cirurgias de todos os tipos, traumatismos e acidentes, queimaduras, mucosite oral em radioterapia e quimioterapia, parto, dor de cabeça, cólica menstrual e dores de dente.
Outro tipo de dor é a dor crônica, aquela que persiste por mais de três meses, podendo ser contínua ou intermitente, e impacta diretamente na qualidade de vida. A SBED afirma que a dor crônica acomete um a cada cinco adultos. Ainda que a dor seja considerada um sintoma, ela pode trazer consigo outros sintomas, como depressão, alterações do sono, imobilidade, problemas nutricionais, ansiedade, entre outros.
A dor crônica costuma estar associada a condições como fibromialgia, artrite ou dores na coluna. Entre os exemplos: lombalgia crônica, enxaqueca, dor pélvica e dor neuropática. De acordo com o Ministério da Saúde, 37% dos brasileiros com mais de 50 anos sofrem com dores crônicas.
A dor nociceptiva é causada pela ativação de nociceptores, receptores sensoriais que identificam danos nos tecidos. Ela pode ser classificada como somática, que tem origem na pele, músculos ou articulações; ou visceral, relacionada a órgãos internos, geralmente mais difusa e profunda , como dor no estômago, por exemplo, que pode ser avaliada por meio de exame de endoscopia. Dor muscular após exercício físico, dor abdominal e entorses são exemplos de dor nociceptiva.
A dor neuropática está ligada a lesões ou disfunções no sistema nervoso central ou periférico. Pode ser descrita como formigamento, queimação, choque ou dormência, e tende a ser mais resistente a analgésicos convencionais. Entre os exemplos de dor neuropática, estão neuralgia pós-herpética, dor diabética e dor após AVC.
Outro tipo de dor é a nociplástica, que é um tipo mais complexo, não resulta de lesões aparentes, mas de alterações na forma como o sistema nervoso interpreta os sinais. Esse tipo é frequentemente associado a doenças como fibromialgia e síndrome do intestino irritável.
A dor psicossomática tem origem em fatores emocionais ou psicológicos, mesmo quando não há uma causa física identificável. Pode ser causada ou piorada por quadros de ansiedade e depressão. São exemplos de dor psicossomática: dor no peito sem problemas cardíacos e dores difusas durante crises de ansiedade.
O tipo de dor influencia no tratamento
Como cada tipo de dor tem um mecanismo diferente, a resposta ao tratamento também varia. Por isso, a classificação correta da dor orienta diretamente a escolha dos medicamentos, dosagem e até a necessidade de tratamentos combinados.
Dores agudas podem ter como indicação de tratamento repouso, analgésicos, anti-inflamatórios e, em alguns casos, fisioterapia. Já as dores crônicas, necessitam de uma abordagem multidisciplinar, incluindo fisioterapia, medicamentos, técnicas de relaxamento e terapias específicas como ondas de choque.
As dores nociceptivas geralmente respondem bem a analgésicos comuns e anti-inflamatórios. As dores neuropáticas exigem tratamento mais específico, com uso de antidepressivos, anticonvulsivantes e até opióides, além de técnicas avançadas como terapia por ondas de choque.
As dores nociplásticas, como na fibromialgia, costumam necessitar de uma abordagem multidisciplinar, combinando medicamentos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida.

