08/09/2017 06h30
Ex-ministro foi questionado por procurador durante a audiência em processo da Operação Lava Jato.
G1
O ex-ministro Antônio Palocci afirmou ao juiz Sérgio Moro que sabia de entregas de dinheiro de empresas feitas em malas a partidos. A fala foi dita quando um dos procuradores presentes na audiência de quarta-feira (6) o questionou sobre uma possível mudança de versões do depoimento prestado em outro processo da Operação Lava Jato, em abril deste ano.
Conforme o procurador Antônio Carlos Welter, no primeiro depoimento, o ex-ministro disse que nunca tinha tratado de propinas ao PT com empresários.
Palocci respondeu dizendo que nunca tinha feito a operação dos pagamentos, apenas pedia as doações aos empresários. Segundo ele, normalmente eram os tesoureiros do PT que cuidavam desses detalhes.
O procurador insistiu que a frase de Palocci em abril era “Eu nunca tratei de propina”. No novo depoimento, o ex-ministro disse que tinha trocado as palavras, mas que mantinha o que tinha falado da primeira vez.
“Pode ser que eu não esteja falando exatamente a mesma palavra, mas eu digo, eu disse digo hoje eu nunca cheguei para uma empresa e falei ‘o senhor pode pagar no exterior tal pessoa’. Não me cabia discutir como a empresa ia pagar. Mas eu várias vezes pedi para a empresa ‘o senhor pode fazer doação de 50 milhões para campanha do presidente tal, da presidente tal'”, afirmou.
Ele explicou que depois de pedir o dinheiro cabia aos tesoureiros o trabalho de mexer com a operação do dinheiro, definindo se os repasses entrariam como doações oficiais ou por caixa dois, no exterior ou em dinheiro e assim por diante.
Ainda de acordo com o ex-ministro, na campanha de 2014, com o aumento da fiscalização sobre caixa dois nas candidaturas, a maior parte dos recursos foram declarados oficialmente. Mesmo assim, isso não reduziu as irregularidades.


