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Diretor nega que HC pressionou suspeita de cobrar propina em MS

04/07/2014 18h20

Suspeita foi presa após pedir R$ 150 mil para liberar emendas e aparelho

G 1 MS

O diretor-presidente do Hospital de Câncer (HC), Carlos Alberto Coimbra, rebateu, nesta sexta-feira (4), as declarações do advogado de defesa da ex-consultora técnica do Ministério da Saúde suspeita de receber propina em Campo Grande. Na quinta-feira (3), André Stuart alegou que Roberlayne Patrícia Alves pediu propina porque foi pressionada por pessoas do hospital para agilizar a liberação de verba federal.

Coimbra repudiou o argumento de Stuart. “Quero crer que ele não tenha tido acesso a todo o inquérito, ao fato de pensar que ele tenha algum problema de compreensão de textos ou de leitura. Porque se você analisar todas as mensagens trocadas, todos os telefonemas que foram feitos, inclusive com orientação da Polícia Federal e da Justiça Federal, lançar esse tipo de dúvida à população é leviana e ele terá que responder isso judicialmente”, afirmou.

Roberlayne foi flagrada recebendo cheques no valor de R$ 100 mil para liberação de emenda parlamentar no valor de R$ 1 milhão e de um acelerador linear para radioterapia avaliado em R$ 3,6 milhões. A negociação foi gravada pela Polícia Federal no dia 17 de junho. A mulher já havia recebido R$ 50 mil por meio de depósito.

No momento em que foi presa, ela disse que mais pessoas do Ministério da Saúde estavam envolvidas no esquema. Já na delegacia, alegou que agiu sozinha e que poderia ter sido assediada para facilitar o processo. Segundo o advogado, Roberlayne mudou a versão dos fatos por nervosismo.

“Pelo que consta nos autos do inquérito, houve uma procura de assessores, de pessoas, de terceiros, inclusive do próprio Hospital do Câncer no interesse de agilizar o processo de liberação do dinheiro, que corria no Ministério da Saúde. Ainda não está definido de quem partiu, se foi dela ou se foi do pessoal do Hospital do Câncer”, disse Stuart.

Mensagens

Entre as provas entregues para a Polícia Federal (PF), estão recados de telefone celular que Roberlayne teria enviado ao diretor do HC. São mensagens de texto com datas de 16 de maio até 16 de junho, dia em que ela foi presa.

Os textos falam da cobrança de dinheiro em vários momentos e da pressão que ela teria recebido de outros funcionários do Ministério da Saúde para receber a propina.

A suspeita está no presídio feminino Irmã Irma Zorzi e espera o julgamento do mérito do pedido de habeas corpus feito pela defesa. A Justiça Federal já negou, em primeira e segunda instâncias, o pedido de liminar para soltura e o pedido de revogação da prisão preventiva.

O inquérito policial foi prorrogado por mais 15 dias porque a fase de depoimentos ainda não terminou. Funcionários do Ministério da Saúde, em Brasília, devem ser ouvidos nos próximos dias por meio de carta precatória.

Apuração

O caso começou a ser investigado em maio, quando o diretor do Hospital do Câncer foi a Brasília saber quando seriam liberados o equipamento e a verba. A funcionária falou sobre a propina e o homem acionou a PF. Tudo foi feito com autorização da Justiça Federal, inclusive as gravações e o depósito.

Roberlayne fez parte da equipe da Força Tarefa criada após denúncias de irregularidades evidenciadas na operação Sangue Frio. Um documento do Ministério da Saúde comprova que em maio de 2013 ela trabalhou por quatro dias em Mato Grosso do Sul.

A auditoria feita pelo grupo na época comprovou que a Santa Casa e o Hospital do Câncer prolongavam a quimioterapia para pacientes em estado terminal e identificou casos de pagamentos de procedimentos a pacientes mortos, além de que pessoas com câncer receberam doses menores de remédios do que as indicadas pelos médicos.

A suspeita foi desligada do Ministério da Saúde por determinação judicial. Caso consiga responder o processo em liberdade, ela também está proibida de frequentar a repartição pública até o fim do inquérito policial.

Diretor nega que HC pressionou suspeita de cobrar propina em MS

Gravação da PF flagrou cobrança de propina(Foto: Reprodução/TV Morena)