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sábado, 17 de outubro, 2026

Dono de marca com ternos a R$ 7 mil mantinha trabalhadores em currais

Vítimas relataram que eram obrigadas a comprar alimentos e itens de higiene diretamente de aliciadores, com descontos em seus salários

Um dos donos do Grupo Veneto, do qual faz parte a grife masculina Brooksfield, está ligado a um caso de trabalho análogo à escravidão flagrado em Brasilândia. Ele é proprietário da Fazenda Beatriz, de onde as vítimas foram resgatadas em agosto deste ano.

O nome do homem e do grupo multimilionário veio à tona após matéria do portal Metrópoles publicada ontem (14). Além da loja que vende ternos a mais de R$ 7 mil, o Veneto abarca conglomerado com outras empresas de moda.

Não é a primeira vez que o nome surge em meio a denúncias como essas. A Brooksfield já fez parte da Lista Suja do Trabalho Escravo por manter pessoas trabalhando em condições abusivas em uma oficina de São Paulo, incluindo adolescentes.

Dono de marca com ternos a R$ 7 mil mantinha trabalhadores em currais
Cozinha improvisada e em péssimas condições de higiene utilizada pelos trabalhadores (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

O Campo Grande News tentou contato com a Brooksfield e o Grupo Veneto, mas não teve retorno. Por ligação, o advogado do empresário em Mato Grosso do Sul afirmou que não iria se manifestar.

Caso em MS – Segundo a Polícia Civil, os trabalhadores ficavam alojados em currais e depósitos da Fazenda Beatriz, em situação degradante, sem condições mínimas de higiene e sem direito a cobertores para dormirem. Além disso, eram submetidos a jornadas exaustivas de trabalho de segunda a sábado, superiores a nove horas diárias, sem receber salários adequados e sem direito a transporte.

Vítimas relataram que eram obrigadas a comprar alimentos e itens de higiene diretamente de aliciadores, com descontos em seus salários. Quando precisavam de médico, tinham que percorrer longos trajetos a pé até a cidade.

Dono de marca com ternos a R$ 7 mil mantinha trabalhadores em currais
Bolivianos trabalhando em oficina da Brooksfield Donna, em São Paulo (Foto: Divulgação/MTPS)

Foram identificados seis trabalhadores no local na data do flagrante. A Polícia apurou que mais cinco teriam sido retirados às pressas da fazenda quando funcionários souberam que seria feita uma ação de resgate.

Gerentes presos – O delegado da Polícia Civil de Brasilândia, Avelino Rafael Mantovani, confirmou hoje (15) que dois gerentes da fazenda presos no dia da operação de resgate continuam detidos.

A reportagem questionou o MPT (Ministério Público do Trabalho) e a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul se entraram com ações judiciais contra o empresário e o grupo, mas não teve retorno até a publicação da matéria.

Fonte: Campograndenews