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quarta-feira, 17 de junho, 2026

Dourados: Brígido Ibanhes é eleito membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras

Com a chegada de Brígido, Dourados passará a contar com três escritores na Academia.

O escritor, ex-bancário (Banco do Brasil) e ativista bela-vistense, mas radicado em Dourados há várias décadas, Brígido Ibanhes, foi eleito na quarta-feira (10) membro do seleto grupo da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL), com sede em Campo Grande. Ele irá ocupar ocupar a cadeira 13, que pertenceu ao jornalista Antônio João Hugo Rodrigues, do grupo Correio do Estado, falecido em 2023.

As posses de Brígido Ibanhes e também do cronista e romancista campo-grandense, André Alvez, eleito no mesmo pleito (cadeira 28 que pertenceu ao acadêmico Augusto César Proença, falecido em 2023), ainda não foram marcadas pela direção da ASL.

Com a chegada de Brígido, Dourados passará a contar com três escritores na Academia. O poeta Emmanuel Marinho e o professor Paulo Nolasco já são membros.

O presidente da ASL, Henrique Alberto de Medeiros Filho, disse que os dois novos acadêmicos representam muito mais do que nomes da literatura. “Ambos trazem relevância não apenas como escritores, mas como pessoas que fazem parte do contexto cultural de Mato Grosso do Sul”, afirmou.

Já o secretário-geral da Academia, Rubenio Marcelo, destacou que as escolhas “dignificam a história da Casa de Ulysses e a preservação e desenvolvimento da língua, das letras e da cultura no Estado”.

“Com a eleição de André Alvez e Brígido Ibanhes, a Academia passa a incorporar duas trajetórias diferentes, mas que têm um ponto em comum: a dedicação em contar, preservar e valorizar as histórias de Mato Grosso do Sul”, resumiram os diretores da ASL.

À Folha de Dourados, Brígido Ibanhes fez a seguinte declaração:

Bom dia, Zé. Você me conhece desde que aqui cheguei, na roda de mate junto com o ilustre amigo Elecir (Ribeiro Arce), conhece também como não foi fácil a caminhada. Mas, quando a caminhada é dura, sempre haverá uma sombra que o Senhor nos prepara para descansar um pouco e depois seguir andando. Chego à ASL com o sapicuá cheio da literatura fronteiriça, a que sempre tentei valorizar e incentivar, e Dourados, com certeza, faz parte dessa linguagem peculiar de comunidades misturadas na sua origem. Aliás, essa nossa literatura, podemos afirmar com certeza, abrange todo o Estado, pois, onde pisamos neste chão sul-mato-grossense, sempre ouvimos, e ouviremos, algumas palavras em guarani misturadas ao nosso herdado português. Abraço fraterno, e fico ao seu dispor.

“Bom dia, Zé. Você me conhece desde que aqui cheguei, na roda de mate junto com o ilustre amigo Elecir (Ribeiro Arce), conhece também como não foi fácil a caminhada“

Assim, o jornal Campo Grande News repercutiu a eleição do escritor douradense:

“A voz da fronteira

Natural de Bela Vista, Brígido Ibanhes transformou a fronteira entre Brasil e Paraguai em uma das principais matérias-primas de sua obra. Escritor, pesquisador e ativista cultural, ele construiu uma trajetória marcada pelo estudo da memória regional, dos mitos populares e das relações entre as culturas brasileira, paraguaia e guarani.

Sua escrita mistura jornalismo investigativo, pesquisa histórica e ficção, sempre com forte presença do chamado regionalismo fronteiriço sul-mato-grossense.

Autor de 11 livros, tem entre suas principais obras Silvino Jacques: O Último dos Bandoleiros, Che Ru (Chirú): O Pequeno Brasiguaio e Che Retã. Seus trabalhos são frequentemente utilizados em pesquisas acadêmicas sobre a literatura de fronteira e a cultura de Mato Grosso do Sul.

Autor de 11 livros, Brígido Ibanhes tem entre suas principais obras Silvino Jacques: O Último dos Bandoleiros, Che Ru (Chirú): O Pequeno Brasiguaio e Che Retã

Além dos livros, Brígido também ajudou a construir instituições culturais do Estado. Foi membro-fundador e primeiro presidente da Academia Douradense de Letras, participou do Conselho Municipal de Cultura de Dourados e atuou em projetos ligados aos direitos humanos e à valorização da literatura”.

A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras foi fundada há 54 vanos e possui 40 cadeiras vitalícias, seguindo o modelo da Academia Brasileira de Letras. Criada inicialmente como Academia de Letras e História de Campo Grande, a instituição adotou o nome atual após a criação do Estado de Mato Grosso do Sul.

A ASL reúne escritores, pesquisadores e intelectuais que contribuíram para a formação da cultura regional e atua na preservação da língua portuguesa, da literatura e da memória cultural sul-mato-grossense.

Dourados: Brígido Ibanhes é eleito membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras
André Alves e Brígido Ibanhes, os novos imortais da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras – Fotos: divulgação