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segunda-feira, 28 de setembro, 2026

Eleitor indeciso pode definir os rumos da disputa presidencial

Mesmo com percentuais menores nas pesquisas estimuladas, parte do eleitorado ainda não consolidou escolha.

Parcela importante do eleitorado ainda não tem escolha consolidada para a eleição presidencial. Embora as pesquisas estimuladas mostrem percentuais relativamente baixos de eleitores que se declaram diretamente indecisos, o cenário muda quando o entrevistado precisa citar espontaneamente em quem pretende votar.

Na pesquisa nacional da Real Time Big Data, feita na última quinta-feira (24), o percentual de indecisos diretos fica em 3% na modalidade estimulada, quando os nomes dos candidatos são apresentados. Já na pesquisa espontânea, o percentual de eleitores que não apontam nenhum candidato sobe para cerca de 11%.

O cientista político Gabriel Amaral avalia que o cenário combina a existência de polos eleitorais definidos com uma parcela da população que ainda não tem uma preferência consolidada.

“Talvez o retrato mais adequado seja o de uma eleição simultaneamente polarizada e ainda em processo de consolidação. Os polos já estão claramente estabelecidos, mas uma parcela do eleitorado ainda não incorporou sua escolha com a mesma intensidade das bases mais mobilizadas. É nesse intervalo que a campanha pode produzir efeitos”, analisa.

2022 x 2026

A dimensão desse eleitorado também pode ser observada na comparação com a mesma época da eleição presidencial de 2022. Veja:

Eleitor indeciso pode definir os rumos da disputa presidencial

A existência de um eleitorado ainda em processo de decisão ganha peso diante da possibilidade de uma eleição polarizada entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno.

Nesse caso, o eleitor que tiver apoiado um candidato eliminado precisará escolher entre os dois nomes que permanecerem na disputa. Os apoios anunciados por partidos e candidatos também não significam transferência automática de votos.

Para Amaral, a decisão tardia é influenciada por fatores que vão além da campanha eleitoral.

“O eleitor chega à reta final carregando uma avaliação do governo, uma percepção sobre sua própria condição econômica, preocupações com segurança e serviços públicos e, principalmente em uma eleição polarizada, diferentes graus de rejeição aos candidatos. Debates, propaganda e acontecimentos de campanha funcionam sobre essas predisposições, podendo reforçá-las ou reorganizá-las.”

Onde estão os indecisos?

A disputa por esse eleitorado, no entanto, não acontece da mesma forma em todas as regiões do país. Os percentuais de eleitores indecisos variam entre os estados, o que pode ser decisivo para o resultado destas eleições.

Eleitor indeciso pode definir os rumos da disputa presidencial

A quase uma semana do primeiro turno, o especialista acredita que as campanhas precisam lidar não apenas com a conquista de novos votos, mas também com a consolidação dos eleitores que já fizeram uma escolha e com a redução da rejeição entre aqueles que ainda podem mudar de posição.

“O desafio estratégico é preservar a intensidade da própria base sem ampliar a rejeição entre aqueles de quem ainda precisa. Em uma disputa apertada, a campanha mais relevante da reta final pode não ser aquela capaz de provocar uma grande conversão do eleitorado, mas aquela que consegue administrar simultaneamente mobilização, consolidação e abertura para receber votos que hoje ainda estão em outros lugares”, finaliza.

R7: *Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.