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quinta-feira, 22 de outubro, 2026

Em evento no Equador, TSE discute impacto da pandemia e das notícias falsas nas eleições


Autoridades de oito países latino-americanos participam, até amanhã (17), dos debates do encontro “O impacto da pandemia e das notícias falsas nos processos eleitorais”, realizado pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do Equador.

Entre os aspectos abordados pelos participantes do evento, estão as boas práticas regionais de verificação de fatos e ações contra a desinformação; a contribuição de novas tecnologias para a transparência das informações e processos eleitorais; o futuro da comunicação eleitoral e os desafios da Covid-19; bem como a violência política de gênero nos meios digitais, entre outras questões.

Representante do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no encontro, o assessor-chefe de Assuntos Internacionais e Cerimonial, José Gilberto Scandiucci Filho, participou da mesa redonda sobre o tema “Intercâmbio das experiências das eleições no contexto da pandemia e identificação de desafios futuros”. Ele compartilhou as vivências recentes do TSE durante as Eleições Municipais de 2020, na qual o combate à desinformação foi um dos grandes desafios enfrentados

Emenda Constitucional e enfrentamento da desinformação

José Gilberto Scandiucci explicou o processo do adiamento, por meio da Emenda à Constituição nº 107/2020, do pleito do ano passado, em razão da pandemia de Covid-19. Ele também apresentou as medidas sanitárias que foram adotadas pela Justiça Eleitoral, como o horário de votação estendido e a distribuição aos mesários de máscaras e álcool em gel, além da suspensão da identificação biométrica. “O desafio era convencer as pessoas a irem votar e fazê-las votar com segurança. E combater as notícias falsas que circulavam sobre a segurança sanitária das eleições”, contou.

O assessor do TSE citou o sucesso das campanhas publicitárias do Tribunal que contaram com a participação de médicos conhecidos, como Drauzio Varella e Roberto Kalil. Segundo Scandiucci, elas contribuíram para a conscientização da população na participação das eleições tomando os cuidados necessários. Um dos resultados dessas campanhas, apontou o diplomata, foi a mobilização extraordinária de mesários voluntários.

Scandiucci também apontou a aliança do TSE com plataformas de mídia digital, como WhatsApp, Facebook, Twitter, TikTok, Instagram e Google, como fator essencial para assegurar a disseminação de informação genuína durante o processo eleitoral. Da mesma forma, segundo ele, o trabalho colaborativo e ágil entre o Tribunal e diversas agências checadoras de fatos foi o que garantiu o sucesso no enfrentamento da circulação de notícias falsas e a tranquilidade do pleito do ano passado.

Cooperação interinstitucional

O encontro “O impacto da pandemia e das notícias falsas nos processos eleitorais” tem como objetivos proporcionar o compartilhamento de experiências e boas práticas no enfrentamento da desinformação e das notícias falsas, bem como do conhecimento acerca de seu impacto nos processos eleitorais, sistema democrático e a participação política a partir das lições e desafios deixados pela pandemia de Covid-19. A proposta é promover a cooperação entre os órgãos eleitorais do continente, visando o seu fortalecimento institucional.

São discutidos temas como a responsabilidade dos meios de comunicação tradicionais e não tradicionais e ações conjuntas e consolidação de políticas públicas de comunicação diante da disseminação de desinformação.

Além do representante do TSE, participam do encontro autoridades da Bolívia, Colômbia, México, Panamá, Peru e República Dominicana, além da nação anfitriã. Representantes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), das plataformas e redes digitais Microsoft, Google e Facebook, entre outros, também estão presentes.

Na primeira palestra desta segunda-feira, a presidente do CNE do Equador, Diana Atamaint, falou sobre a possibilidade de um novo sistema de votação. “Vamos começar a repensar o planejamento das nossas eleições, inclusive, analisar a possibilidade de implementarmos outras formas de votação diferentes da tradicional, para evitar que a jornada eleitoral se converta em um foco de contágio. Junto a organizações políticas e sociais, analisamos a migração para o voto telemático”, declarou.

As palestras e debates prosseguem até esta terça-feira (17) com novas rodadas de discussão e mesas temáticas. O objetivo final do encontro é estimular a cooperação técnica entre os países para o fortalecimento institucional da função eleitoral e a gestão de dados e informações.

AL, RG/LC, DM

Fonte: TSE