19.5 C
Ponta Porã
quarta-feira, 21 de outubro, 2026

Em Ponta Porã, falta de chuvas causa prejuízos de até 30 % nas lavouras de soja

Situação é pior em municípios que investiram no cultivo recentemente

28/12/2018 15h40- Por: Tião Prado

A estimativa dos agricultores de produzir 10 milhões de toneladas de soja, na safra 2018/19, pode ser comprometida se a instabilidade climática em Mato Grosso do Sul continuar.

Há 20 dias, algumas localidades na região sul registraram perdas pontuais, porém, as chuvas recentes devolveram o equilíbrio necessário para o desenvolvimento das lavouras.

Essa instabilidade climática já esta assustando os produtores de todas as regiões de Ponta Porã. Para saber mais a respeito dessa situação no município, a reportagem do site Pontaporainforma foi falar com o engenheiro agrônomo e sócio da empresa Solo Forte, Pompílio Cabral de Jesus Júnior, que informou que as perdas em Ponta Porã já chegam a 30 % em algumas regiões e 20 % em outras. “Para vocês terem uma ideia, na região de Cabeceira do Apa, a estiagem que durou 33 dias, já possibilita uma perda de algo em torno de 20 %; já na região do Capei, essas perdas chegam em torno de 30 %, e tudo isso é reflexo do calor que esta na casa dos 35° graus e as chuvas fracas que marcaram somente 30 mm nos últimos dias”, disse Pompílio.

Ainda de acordo com o engenheiro agrônomo, os produtores que fizeram o plantio até 20 de setembro, ou seja, os primeiros plantios, estão sendo os mais prejudicados pelo tempo seco e a escassez de chuvas.

Fazendo uma avaliação mais criteriosa, alguns fatores estão assustando os produtores rurais: o primeiro diz a respeito aos investimentos que muitos tem feito, sendo na abertura de novas áreas, onde investiram em tecnologia, equipamentos e produtos para correção de solos e adubamentos, deixando a área apta para receber as sementes, e outra coisa que acaba prejudicando, são as dificuldades para contratar o custeio, ficando assim descapitalizado, e essas perdas poderá vir a gerar uma forte crise financeira em toda a fronteira.

Também pode se contar com o fato de que alguns produtores rurais tenham contratado o seguro rural, que garante a cobertura de 43 sacas de soja por hectare, com um custo de investimento de R$ 150,00 por hectare, sendo que aqueles que não contratam o seguro, podem amargar um grande prejuízo.

Pompilio Júnior, que alem de ser produtor rural também é presidente da Federação dos Clubes de Laço do Mato Grosso do Sul, disse que está bastante apreensivo com essa situação e que em conversa com vários patrões de clubes de laço que também são produtores rurais, sentiu que todos que fizeram o plantio de soja estão bastante apreenssivos com a situação, mas que todos tem muita fé que as chuvas vão vir em maior quantidade e a safra possa ser salva.

Pompílio Júnior também fez questão de salientar que toda classe dos produtores rurais acreditam muito no próximo governo do presidente Jair Bolsonaro, porque sempre tem a esperança nos projetos de subsídios agrícolas para atender toda a classe, e os produtores que não conseguem acesso ao crédito ou ao seguro rural e que venham a sofrer prejuízos muito grandes, possam contar com o apoio do governo e não abandonem as lavouras.

Região Norte:

Entretanto, na região norte, o cenário de perdas varia de acordo com a localidade e experiência no manejo da cultura. É o que explica, o empresário rural, Júlio César Bortolini, dono de propriedade rural e sojicultor em São Gabriel do Oeste.

“A situação por aqui apresenta duas situações: nos municipios de Rio Verde, Bandeirantes e Camapuã, algumas propriedades perderam quase toda a lavoura e já estão se planejando para o plantio de milho safrinha. Em contrapartida, em São Gabriel do Oeste, os agricultores contam com uma área mais estruturada e em razão da expertize no manejo devem chegar a no máximo, 20% de perdas”, avalia.

Região Sul;

O engenheiro agrônomo, Angelo Ximenez, se dedica a agricultura no município de Dourados e no atual ciclo plantou 600 hectares da oleaginosa. Ele confirma que a situação melhorou consideravelmente em relação ao que foi identificado há pouco mais de um mês.

“As chuvas das últimas semanas devolveram as condições ideais para o desenvolvimento da soja e por aqui, acredito que as perdas não devem passar de 15%. A situação também pode variar em talhões de uma mesma propriedade, então não podemos nivelar o percentual para toda uma região”, argumenta.

Atualizações nacionais:

O Instituto Nacional de Meterorologia (Inmet) divulgou no início da semana (24 de dezembro) a previsão de que os maiores volumes de chuva deverão se concentrar na faixa Centro-Norte do Brasil, porém, a zona de convergência do Atlântico Sul deve se formar e voltar a atuar, ampliando o alcance das precipitações.

Durante entrevista concedida ao site Notícias Agrícolas, o analista de mercado da Agrinvest Commodities, Marcos Araújo, atualizou a previsão de colheita para todas regiões brasileiras: o novo número para a safra brasileira é de 113,18 milhões de toneladas, sendo 50,63 milhões no Centro-Oeste; 36,59 milhões no Sul; 9,07 milhões no Sudeste; 10,73 milhões no Nordeste e 6,16 millhões de toneladas na região Norte.

Além disso, o especialista confirma que as perdas mais severas aconteceram no Paraná com com 14%, Mato Grosso do Sul, com 13%, Rio Grande do Sul, com 7% e Mato Grosso com 5%. “Há várias microrregiões com perdas irreversíveis. Houve a maturação fisiológica forçada, com grãos pequenos e esverdeados”, conclui Araújo.

Com informações do Correio do Estado

Registro de lavoura de soja afetada pela falta de chuvas na região de Ponta Porã.

Pompílio Cabral de Jesus Júnior

Em Ponta Porã, falta de chuvas causa prejuízos de até 30 % nas lavouras de soja