19.5 C
Ponta Porã
quarta-feira, 21 de outubro, 2026

Em troca de olhares, arara não resiste e encara fotógrafo que esperou uma hora para fazer registro na capital de MS

Fotógrafo da vida selvagem, André Bittar, ficou três horas para fotografar seis araras que têm ninhos em uma avenida movimentada de Campo Grande.

29/11/2019 15h10 – Por: G1 MS

Um fotógrafo esperou cerca de uma hora na tarde desta quinta-feira (28) para fazer o registro de uma arara canindé, que estava no conforto de casa e que só pelo olhar, não queria ser incomodada e muito menos, sair do topo do coqueiro, localizado na avenida Hiroshima, região norte de Campo Grande.

De acordo com o fotógrafo, André Bittar, de 27 anos, especialista em fotografar a vida selvagem, a ave ao notar que era observada, timidamente decidiu ceder e, na sequência, sair do ninho e pousar acompanhada para novas imagens.

“Literalmente era uma troca de olhares. Ela começou me encarar e, depois decidiu ceder. Imagino que ela realmente sabe que é bonita e por isso caprichou nas poses”, brinca.

Segundo Bittar, no local que foi feito o registro, há vários ninhos de araras. Ele conta que a canindé que estava sozinha no coqueiro, chegou a brincar de sair e se esconder durante o ensaio fotográfico. Para conseguir fazer registro de outras aves, permaneceu no local por mais de três horas.

Em outrubro, o fotógrafo flagrou 23 andorinhas tomando “banho de chuva” em uma pousada localizada em Miranda, no Pantanal sul-mato-grossense. Ao todo, foram 72 cliques até ele chegar à imagem, em que os pássaros sobrevoam e aproveitam uma cerca e no lugar “se deliciam” com a chuva, a segunda após um período de estiagem e combate a incêndios na região.

“Naquele momento algo mágico começou a acontecer. Parece que é um lance entre elas, uma brincadeira”, contou Bittar, que esperou 50 minutos para fazer o clique. Na ocasião, ele diz que colocou uma toalha para não molhar a máquina fotográfica e observou o momento em que várias andorinhas chegaram à pousada, algo difícil de acontecer, segundo o profissional.

Com 8 anos de experiência na área, o fotógrafo conta que fica muito feliz ao presenciar uma transformação diária na natureza. “Acho que é uma foto que conta muito. Este é o meu primeiro ano com um trabalho autoral e pretendo ter um documentário registrando a vida selvagem no Pantanal, além de um livro com as minhas imagens. No caso desta fotografia [das andorinhas], não é só estética, mas uma imagem com informação para falar do momento difícil que o Pantanal passou, com tantos focos de incêndio. Eu também vejo as flores pela manhã e, durante a tarde, o verde é ainda mais verde”, contou.

Arara decide sair de ninho e depois pousar para fotos de fotógrafo da vida selvagem, em Campo Grande (MS). — Foto: André Bittar