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domingo, 18 de outubro, 2026

Empresa recebe R$ 100 mil para transportar alunos em porta-malas

27/10/2016 06h

Gaeco encontrou documentos da empresa na casa de vereador

Correio do Estado

Empresa contratada pela Prefeitura de Bela Vista (MS) para realizar transporte escolar de crianças da zona rural recebia R$ 100 mil por mês para levar alunos até escola do assentamento Barra do Itá. No dia 7 de agosto, Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) flagrou oito estudantes sendo transportados em veículo particular, de forma irregular. Investigação apontou que o vereador Antonio Flavio Barbosa Cabral (PMDB), seria dono da empresa, que estava registrada em nome de laranja.

De acordo com o promotor responsável pelo caso, Alexandre Estuqui Junior, de Bela Vista, o condutor do veículo Uno era funcionário da fazenda do vereador. “Quem deveria fazer o transporte era a MA Serviços de Transportes, que inclusive teria que fornecer uma van ou um microonibus para levar os alunos para a escola”, explicou o promotor.

Diante da situação constatada, procedimento criminal foi instaurado com auxílio do Gaeco que realizou busca e apreensão na casa do vereador e em outras residências. “Na casa do vereador foram encontrados documentos relacionados a empresa de transporte, que estava em nome de laranja”, reforçou Estuqui.

Por ocupar cargo público, Pato, como é conhecido, o parlamentar não poderia ter vínculo de prestadora de serviço com a prefeitura. “Há indícios de que a empresa é do vereador. Há indicativos também, porém sem provas, de que existe superfaturamento no trajeto, ou seja, a prefeitura paga para a empresa valor a mais do que o correspondente ao trajeto”.

Conforme o promotor, o valor total do contrato da empresa de transporte com a prefeitura é de R$ 288 mil para realizar o transporte rural por seis linhas.

Ainda de acordo com Alexandre Estuqui, o vereador pode responder por falsidade ideológica e crime contra licitação, dentre outros que ainda estão sendo apurados. Além disso, pode ter o mandato cassado, perder os direitos políticos e responder por improbidade administrativa. Quanto ao motorista que dirigia o veículo no dia do flagrante, a princípio não será responsabilizado.

Crianças são levadas para escola em porta-malas - Foto: Reprodução