22/03/2017 05h50
Uma das envolvidas em esquema prestava 28 tipos de serviço diferentes
Correio do Estado
As empresas investigadas na Operação Licitante Fantasma, da Polícia Federal, ampliaram o leque de serviços prestados para participar de mais licitações e, dessa forma, superfaturar mais.
De acordo com o superintendente da Controladoria Geral da União, José Paulo Barbieri, uma das empresas prestava 28 serviços diferentes como terceirização de mão-de-obra, reforma, manutenção de ar-condicionado, alinhamento e balanceamento e até filmagem de eventos. As outras prestavam mais de dez tipos de serviço.
Ainda conforme Barbieri, todas elas são sediadas em Mato Grosso do Sul.
PRESOS
Dois empresários foram presos por posse ilegal de arma de fogo. Durante cumprimento de mandados de busca e apreensão, agentes da PF encontraram quatro armas sem registro.
ESQUEMA
Em entrevista coletiva, no final da manhã de hoje, o delegado da PF Cléo Mazzotti e o superintendente da Controladoria, José Paulo Barbieri, disseram que cerca de 15 empresas se uniram para ajustar preços de produtos oferecidos ao poder público, por meio de licitações.
A quadrilha agia de três diferentes maneiras. Em uma delas, se uma empresa integrante do esquema oferecesse serviço por R$ 99 mil, outra integrante fazia proposta de R$ 90 mil e uma terceira idônea apresentava oferta de R$ 80 mil, o grupo colocava a empresa fantasma em ação e oferecia valor 30% ou 40% menor que a proposta da empresa idônea.
Desta forma, a empresa que não participava do esquema acabava desistindo da licitação por não ter condições de cobrir a proposta. Em seguida, as empresas do esquema forçavam sua própria desclassificação, de forma que só permanecia no certame a empresa com a maior proposta de preço.
Outra maneira de atuação acontecia se a empresa idônea não desistisse do processo. Neste caso, um dos chefes da quadrilha procurava o empresário para fechar acordo e, assim, captava mais integrantes para o grupo criminoso.
Em determinada tentativa de fechar acordo com empresa idônea, empresário não aceitou proposta e denunciou o crime para a Polícia Federal. Foi então que a investigação teve início.
Terceira forma de atuação era colocada em prática quando o processo de licitação exigia visita técnica dos concorrentes. Durante a visita, o grupo passava a ter conhecimento de quem participaria da disputa e marcava reunião para combinar preços e acordos entre si.
Ainda de acordo com a PF, foram analisadas licitações de 2011 a 2015 e ficou constatado que durante o período a quadrilha movimentou R$ 60 milhões. A estimativa é de que o prejuízo ao erário seja de R$ 25 milhões.
Empresários envolvidos no esquema responderão pelos crimes de fraude em licitação, estelionato qualificado, formação de quadrilha e posse irregular de arma de fogo.


