Encontro entre mulheres e juventudes, no Rio de Janeiro, abre cronograma de debates climáticos

A iniciativa é resultado de uma articulação entre diferentes atores da esfera pública. Foto: Laryssa Lomenha/JUVRio

Com foco no debate entre clima e perspectiva de gênero, a Casa da Juventude, localizada no bairro da Gamboa, no Rio de Janeiro (RJ), foi palco, no dia 9/4, da 1ª edição das Plenárias das Mulheres e Juventudes nos Biomas pós-COP30. Promovido pelo Ministério das Mulheres e pela Secretaria-Geral da Presidência da República (SGP-PR), por meio da Secretaria Nacional de Juventude, o evento representou o bioma da Mata Atlântica e reuniu cerca de 200 participantes do poder público, sociedade civil, juventudes e movimentos sociais. Dentre as pautas apresentadas, protagonizaram o debate a justiça climática, juventude e perspectiva de gênero.

Pela manhã, foram debatidos os temas território, justiça climática e desigualdades em um painel mediado por Pâmela Mercia, do Instituto Todos Juntos Ninguém Sozinho. À tarde, os participantes se dividiram em grupos de trabalho para elaborar propostas sobre o tema.

Laís Lima Rezende, assessora da Secretaria-Executiva do Ministério das Mulheres, explicou como a pasta das Mulheres tem atuado nas questões climáticas que envolveram cidades no ano de 2025.

“Diante da emergência do Rio Grande do Sul, por exemplo, nós, do Ministério das Mulheres, elaboramos um protocolo com o intuito de promover o debate sobre emergências e desastres climáticos com atenção à perspectiva de gênero. Em março, atualizamos e publicamos esse protocolo”, comentou Laís durante o encontro, que também contou com a participação de Michelly Milhomem, da Assessoria Especial de Participação Social e Diversidade do MMulheres.

Para reforçar a importância de se pensar a perspectiva de clima no dia a dia, Marcele Oliveira, campeã da Juventude COP30, provocou a reflexão de que a mudança climática só será possível, se realizada a partir de um processo educativo. “Precisamos ter uma educação que coloque a discussão climática na pauta do dia a dia, de forma que a gente reconheça nosso próprio bioma. Muitos moradores do Rio de Janeiro não sabem sequer que nosso bioma é a Mata Atlântica. (…) A gente quer criar uma cultura de regeneração, de investimento, e isso depende da gente, de fazer essa mudança no dia a dia”, ressaltou Marcele.

Resultados

Como resultado do evento, o reconhecimento de que a crise climática não é neutra e que está conectada às desigualdades estruturais do país reforça que o desafio não é apenas técnico, mas político.

O encontro permitiu a construção de um diagnóstico sobre os desafios e as soluções para a agenda climática no Brasil. Dividido em eixos estruturantes, o documento reafirma que a crise climática incide de forma desproporcional sobre populações negras, comunidades tradicionais e periferias.

Na pauta que envolve mulheres e clima, o documento inclui mulheres e jovens como forças propulsoras no debate central da justiça climática. Os participantes sugeriram a centralidade das mulheres nas políticas urbanas e rurais; a garantia de participação da juventude periférica nas decisões; mecanismos de proteção para mulheres defensoras de territórios.

Sobre as Plenárias 

Ao longo de 2025, o Ministério das Mulheres promoveu Plenárias das Juventudes dos Biomas, formação e articulação da delegação das juventudes para a COP30, e mobilizações em torno da agenda de gênero e clima. A partir de avanços políticos desses encontros, vinculados à Presidency Youth Climate Champion (PYCC), surgiu a oportunidade de fortalecer a mobilização continuada, descentralizada e territorializada.

Nessa perspectiva, surgiu o projeto Plenárias das Mulheres e Juventudes nos Biomas pós-COP30, que vão percorrer seis cidades no país, ao longo do primeiro semestre de 2026, com o intuito de ampliar a participação social, consolidar processos de formação sobre justiça climática e produzir subsídios para políticas públicas, com atenção especial aos recortes de gênero, raça e juventudes. 

As Plenárias das Mulheres e Juventudes nos Biomas pós-COP30 são realizadas pelo Ministério das Mulheres e pela Secretaria-Geral da Presidência da República (SGP-PR), com apoio do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), do Conselho Nacional da Juventude (Conjuve) e da Jovem Campeã Climática da Presidência da COP30 (PYCC). A edição Mata Atlântica também conta com o apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio das secretarias do Meio Ambiente e Clima e da Juventude Carioca. 

Próximas Plenárias 

O cronograma prevê encontros nas seguintes localidades: 

  • Mata Atlântica — Rio de Janeiro (RJ), 9 de abril 
  • Pantanal — Campo Grande (MS) ou Cuiabá (MT), 30 de abril 
  • Amazônia — Belém (PA), 14 de maio 
  • Caatinga — Caruaru (PE), 27 de maio 
  • Pampa — Porto Alegre (RS), 10 de junho 
  • Cerrado — Brasília (DF), 24 de junho  

 

Fonte: Ministério das Mulheres