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domingo, 18 de outubro, 2026

Entrevista: ‘Aliança com DEM acabou com o PT em Dourados’, diz Zeca do PT

08/11/2013 06h50

O ex-governador defende uma chapa ‘pura’ do partido para as próximas eleições.

Douradosnews

O entrevistado desta primeira semana do mês de novembro é o ex-governador de Mato Grosso do Sul e atual vereador em Campo Grande, José Orcírio Miranda dos Santos, mais conhecido como Zeca do PT.

O vereador que esteve no final de semana passado visitando Dourados, falou com o Dourados News sobre sua pré-candidatura à Câmara Federal, os erros cometidos dentro do PT (Partido dos Trabalhadores) em Dourados e as divisões na sigla no município.

Zeca do PT expôs ainda sua revolta quando o partido se coligou em 2010 ao DEM, que tinha na época, Murilo Zauith, hoje no PSB, como candidato.

“Aquilo foi um equivoco, acabou com o PT aqui [em Dourados], nós temos que usar esse elemento da história para mostrar que foi um erro” afirmou o ex-governador, que também nega ter apoiado a eleição de Ari Artuzi em 2008, mas diz que o ex-prefeito era o político mais popular de Dourados.

Confira a entrevista de Maryuska Pavão

Dourado News – Atualmente o senhor é vereador em Campo Grande, como é sair do Executivo para o Legislativo?

Zeca do PT – Tenho achado uma experiência fantástica, não tenho tido dificuldades nenhuma em ter o meu espaço nos debates, contribuir com minha experiência quando chamado para algumas questões mais polemicas dentro da Câmara. Essa pergunta que você está me fazendo o Lula me fez, disse que estou bem, que estou me dando bem, fui muito bem recebido pela população de Campo Grande, onde eu resido há mais de 30 anos.

DN – Quais os planos para o futuro? Vaga ao Senado, Assembleia, Câmara dos Deputados?

Zeca – Eu sempre resisti em ser um profissional da política, mas estou sendo convencido por meus companheiros internos do PT, que com minha experiência é importante pleitear uma vaga como deputado federal. Então estou me colocando a partir de hoje como pré-candidato a deputado para ajudar o Delcidio [do Amaral] no governo e a Dilma [Rousseff] a ser reeleita a presidência.

DN – Você teve uma grande votação nas eleições do ano passado, acredita que devido ao seu histórico na política isso tenha contribuído para ser eleito?

Zeca – Eu acho, porque fizemos um governo com projetos sociais de enorme repercussão. E eu fiz minha campanha a pé, rodando em toda Campo Grande falando dessa trajetória e pedindo voto. Eu não fui um dos mais, eu fui o mais votado, com 13.010 votos. Sou proporcionalmente o mais votado do PT nas capitais e sou o 6° mais bem votado do Brasil. E isso me dá um orgulho tremendo.

DN – Em relação à situação do atual prefeito, Alcides Bernal, acredita que conseguirá terminar o mandato?

Zeca – Não sei se conseguirá concluir ou não, porque as coisas estão muito complicadas. Eu tenho dito que o Bernal tem sofrido com o desprezo que ele tem pela política, ele não gosta de política, não entende de política e não se esforça para melhorar e ao mesmo tempo é centralizador abraça aquilo tudo, devido o fato de ter sido eleito sozinho tem que governar sozinho. Ele não abre espaço para a possibilidade de um governo de equalização, portanto acaba tendo uma situação dramática e corre muito risco de perder o seu mandato.

DN – Nas eleições gerais de 2010, você disputou as eleições para governador e teria reclamado da falta de participação de integrantes do PT na sua campanha. Você acredita que para o ano que vem haverá essa divisão?

Zeca – Eu não acredito, a candidatura do Delcidio unifica todo o PT, não olho para trás pelo retrovisor para eventualmente analisar se o grupo do Delcidio me faltou com apoio. Acho que o que me falou foi perna, pois foi uma campanha muito pobre, com muita dificuldade financeira. Independente disso, eu estou e minha corrente interna chamada de CNB (Construindo um Novo Brasil) estamos em peso à disposição do Delcídio para fazer uma campanha vitoriosa e ganhar o governo. O que nós queremos é poder discutir a composição da chapa majoritária. Inclusive eu acho um equivoco o que estão tentando vender para o Delcídio uma chapa com o DEM [Democratas], com o PMDB ou com o PSDB com o Reinaldo Azambuja que possui uma chapa muito conservadora, e militância do PT, com os projetos sociais que possui, simplesmente não dará certo.

DN – Então você não concorda que o PT faça aliança com esses partidos, como aconteceu na eleição extemporânea (2011), o qual o partido coligou com o prefeito Murilo Zauith (na época DEM) e tinha a vice prefeitura?

Zeca – Absolutamente, aquilo foi um equivoco, acabou com o PT aqui, nós temos que usar esse elemento da história para mostrar que foi um erro que estão fazendo ou que eventualmente queiram fazer. O Delcídio defende chapa pura do PT, com vice e senador do partido, e comigo com os meus 43% de votos.

DN– Em recente entrevista, o candidato a prefeitura de Dourados em 2008, Wilson Biasotto, também reclamou de ‘forças ocultas’ da capital e da divisão do partido, que não o apoiaram no pleito, o que fazer para que isso não continue?

Zeca – Aproveitar as eleições internas que estamos fazendo no PT, para fazer uma grande debate sobre os erros que o partido tem cometido. Eu acho particularmente que o PT se tornou um partido burocrata, se afastou da militância, das ruas e dos movimentos sociais. O PT comete um erro danado quando despreza uma coisa chamada democracia interna, o que é isso? O que foi decidido coletivamente é o caminho que será seguido e faz muito tempo que a gente não faz isso, e outra coisa que o partido tem cometido de erro é que nós nos tornamos um partido eminentemente eleitoreiro, só pensamos em eleição e aí queremos ocupar espaço, não importa com quem, e foi o caso do DEM aqui em Dourados, o que fez jogar a militância de volta para casa. E isso não pode, tem que ter critério de aliança, tem que ter candidatura.

DN – Mas você se mostrou ‘simpático’ na época em relação à eleição de Ari Artuzi?

Zeca – O Ari Artuzi não era um homem de direita, tão pouco de esquerda, ele era um político populista, filiado ao PDT [Partido Democrático Trabalhista], que é um histórico filiado nosso, com uma enorme base social dos mais pobres, o que me encantava, portanto acho que tínhamos que ter discutido melhor. Acho que devido a isso tínhamos que ter ficado junto. Ali sim, com o Artuzi cabia, até para nós voltarmos e ainda ajuda-lo a montar o governa e contribuir na administração, pois ele tinha pouca experiência, porém saímos com candidatura própria e acabamos perdendo.

DN – Porém o Biasotto saiu?

Zeca – Sim, saiu e não deu em nada e isso só aumentou a divisão do PT, esses são os erros, pois foi a decisão de alguns, se há uma decisão coletiva, isso se chama democracia interna e provavelmente a história teria sido outra.

DN – E qual seria a solução para resolver a situação da divisão do PT, seria sentar e conversar?

Zeca – Não, as tendências no PT são as armas que oxigenam o partido, que motiva a militância, a disputa interna não divide, ela junta, agrega, motiva. Para se ter uma ideia, o diretório nacional tem nove chapas disputando com seis presidentes e aqui temos três chapas. Isso e positivo para o PT, porque temos que promover o debate, cada um defender sua tese e assim achar um denominador comum entre todos.

DN – Sobre a eleição interna do PT em Dourados, você está apoiando alguém?

Zeca – Estamos apoiando o professor Reinaldo Santos, da Universidade Federal [UFGD]. São três candidaturas, a do Natal [Ortega] que possui uma corrente chamada de Articulação de Esquerda, e do Dirceu [Longhi] e entorno dela está o Tetila, o João Grandão, o Vander Loubet, este é o pessoal que entregou o PT para o DEM, o qual eu sou totalmente contra.

DN – E hoje, como você avalia a administração local?

Zeca – Não tenho acesso as informações sobre o mandato do Murilo, da administração, mas tenho
acesso as pesquisas que apontam eventualmente os erros e acertos, então estaria sendo injusto em apontar qualquer fato sem conhecimento. Mas eu acho, acima de qualquer coisa que é uma administração antidemocrática, distante do povo, principalmente do povo mais pobre, sem nenhum programa de inclusão social, e sem o apoio popular a tendência é em fracassar nas próximas eleições.

DN– Para encerrar, o senhor disputaria outra eleição contra André Puccinelli? Em um futuro quem sabe?

Zeca – O mandato do André termina ano que vem, e acho que não deverá ser mais candidato. E já estamos velhos demais, tanto ele quanto eu, então quem viu, viu, quem não viu não vai mais ver (risos)… E outra, o Delcidio é nosso candidato ao governo e vamos trabalhar para que ele fique os próximos oito anos.

Zaca afirmou que aliança do PT com DEM foi um grande erro do partido em Dourado