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domingo, 18 de outubro, 2026

Escola de Dança do Theatro Municipal do Rio completa 94 anos


A Escola Estadual de Dança Maria Olenewa do Theatro Municipal do Rio de Janeiro completa hoje (27) 94 anos com o lançamento do e-book Professores que Construíram Nossa História. Com depoimentos de diversos docentes da mais antiga e tradicional escola de formação em balé clássico no Brasil, o e-book está disponível nas redes sociais do Theatro Municipal.Escola de Dança do Theatro Municipal do Rio completa 94 anosEscola de Dança do Theatro Municipal do Rio completa 94 anos

Também para lembrar a data, a instituição fez um evento ao vivo, na tarde de hoje, para falar sobre a trajetória da escola, a partir da pesquisa feita por Paulo Melgaço, professor de História da Dança desde 1993.

Professor da EEDMO, Paulo Melgaço  Foto: Amanda Melgaço Professor da EEDMO, Paulo Melgaço  Foto: Amanda Melgaço

Professor de História da Dança, Paulo Melgaço / Amanda Melgaço/Direitos reservados

“Para comemorarmos o aniversário de 94 anos da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, estamos homenageando todos os mestres que por aqui passaram e contribuíram para o desenvolvimento e a formação de milhares de alunos ao longo dos tempos”, reconhece Melgaço

A bailarina e também professora Liana Vasconcelos destacou três palavras fundamentais para uma escola de formação em balé clássico: memória, tradição e evolução. “Nós, professores, ensinamos aos nossos alunos, ao longo dos seus nove anos de formação, a importância da valorização da memória de nossa escola e de todos aqueles que fizeram parte dessa história.”

Disciplina

Todos os anos, de 30 a 40 novos alunos ingressam na Escola de Dança do Theatro Municipal. Entretanto, nem todos concluem os estudos. São seis anos de curso preparatório e mais três anos de curso técnico. O diretor da escola, Hélio Bejani, destaca que a jornada exige muita disciplina, treino e aptidão física.

“O estudo é duro. É preciso ter aptidão física, apesar de ela ser uma escola pública. Mas por ser técnica, ela exige aptidão física.”

Com a desistência de muitos alunos, cerca de 20 se formam por ano, em média. “Nesses 94 anos, você imagina o número de bailarinos formados pela escola”, contabiliza.

Bailarinos

bailarina e professora da EEDMO, Liana Vasconcelos  Foto: Javier Gamboa bailarina e professora da EEDMO, Liana Vasconcelos  Foto: Javier Gamboa

Liana Vasconcelos, bailarina e professora da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa do Theatro Municipal do Rio de Janeiro  – Javier Gamboa/Direitos reservados

Segundo Bejani, o interesse pelo balé tem aumentado entre os rapazes. “Hoje, os meninos começam mais cedo”. Ele, ao contrário, começou o curso aos 22 anos, após se graduar em engenharia. “Tive que batalhar muito até chegar a primeiro bailarino do teatro. A condição física me ajudou também.”

Dos 270 estudantes da escola, somente 40 são rapazes. Mas, de acordo com o diretor, o preconceito hoje está menos concentrado na questão de gênero e migrou para o quesito econômico. “Dizem que é uma profissão que não dá futuro, uma profissão muito difícil”, diz Bejani que está à frente da escola há quase quatro anos.

Para os próximos anos, a ideia, segundo ele, é manter vivo o legado técnico, artístico e pedagógico deixado pela bailarina russa e fundadora da escola Maria Olenewa. “O que eu procuro fazer é isso: melhorar as condições possíveis mas, acima de tudo, manter o que já foi conquistado até hoje. Não pode andar para trás”.

Pandemia

Durante a pandemia de covid-19, a escola procurou manter todas as disciplinas de forma remota. No último mês, as aulas presenciais começaram a ser retomadas, mas em sistema híbrido (mantendo o ensino virtual).

A infraestrutura da escola é garantida pelo governo fluminense, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, mas, para se manter, a instituição precisa de doações e conta com apoio da Associação dos Amigos do Theatro Municipal.

diretor da EEDMO, Hélio Bejani   Foto: Carlos Veras diretor da EEDMO, Hélio Bejani   Foto: Carlos Veras

Diretor da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, Hélio Bejani – Carlos Veras/Direitos reservados

“A escola é pública. Ninguém paga nada para estudar lá”, garante o diretor. Ela depende, entretanto, da “generosidade de pais que podem contribuir” e demais doadores.

“Mas ninguém deixa de estudar na escola de dança por não poder contribuir”, destacou Bejani, afirmando que a grande maioria dos alunos é composta de crianças sem condições financeiras. “Isso [as aulas de dança] cria para elas um sonho a mais, uma possibilidade a mais”, reflete.

Apesar de não terem que desembolsar dinheiro para cursar a escola de dança, os alunos têm que comprovar que estão matriculados e frequentando a escola regular. Segundo o diretor, a metodologia da escola consiste em usar o balé como ferramenta para educar.

“Estamos formando cidadãos. Não estamos só formando bailarinos. Precisa prepará-los emocionalmente e cognitivamente para a vida, para o futuro, para enfrentar com mais tranquilidade as impermanências da vida. Vide o que a gente está passando agora”, disse se referindo à pandemia.

Para Bejani, se os profissionais da saúde lutam para garantir a vida dos brasileiros na pandemia, os trabalhadores da cultura são os médicos da alma. “Um povo sem cultura é um povo sem alma”, destacou o diretor.

Edição: Lílian Beraldo