22 C
Ponta Porã
domingo, 18 de outubro, 2026

Estado do Rio registra maior número de golpes da história em um mês


source
Dinheiro apreendido durante operação da Delegacia de Defraudações (DDEF), especializada que investiga grandes casos de estelionato
reprodução/Polícia Civil

Dinheiro apreendido durante operação da Delegacia de Defraudações (DDEF), especializada que investiga grandes casos de estelionato

O estado do Rio manteve, em março, o ritmo de queda nas mortes violentas e nos roubos. Por outro lado, os casos de estelionato, que vêm em uma escalada desenfreada desde o início da pandemia da Covid-19, aceleraram mais do que nunca . As 10.398 ocorrências do gênero no período, de acordo com os dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), representam o maior número de golpes já computado em um único mês.

Com a inclusão dos dados de março, o fenômeno manteve-se inalterado. Os pouco mais de 29 mil casos de estelionato computados no primeiro trimestre superam em quase 4 mil ocorrências os 25.191 roubos do mesmo período. Antes, analisando somente janeiro e fevereiro, a diferença era de 2.486 registros (18.655 contra 16.169).

A disparada estelionatária também fica escancarada quando considerado todo o primeiro trimestre de 2022. As 29.053 ocorrências superam a soma dos períodos de janeiro a março de 2021 e 2020 (13.396 e 10.583, respectivamente). É como se, em apenas três meses, toda a população de Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, se tornasse alvo de golpistas — e isso desconsiderando que um único registro pode incluir múltiplas vítimas.

No último balanço divulgado pelo ISP, em fevereiro, o GLOBO já havia mostrado que, pela primeira vez, o número de casos de estelionato havia superado o total de roubos no estado. Em outras palavras, é como se o Rio já abrigasse mais golpistas do que ladrões, independemente da modalidade do assalto — são levados em conta na estatística desde o celular tomado até a carga levada nas estradas, por exemplo.

Com a inclusão dos dados de março, o fenômeno manteve-se inalterado. Os pouco mais de 29 mil casos de estelionato computados no primeiro trimestre superam em quase 4 mil ocorrências os 25.191 roubos do mesmo período. Antes, analisando somente janeiro e fevereiro, a diferença era de 2.486 registros (18.655 contra 16.169).

Queda nos homicídios

Já os 256 homicídios dolosos computados em março, ainda conforme o divulgado pelo ISP, bem como os 760 registrados no acumulado do trimestre, representam a menor marca em mais de três décadas, desde 1991, quando teve início a série histórica para este tipo de crime. O mesmo aconteceu com o índice de letalidade violenta, que abrange, além dos homicídios dolosos, os casos de latrocínio (roubo com resultado morte), lesão corporal seguida de morte e os autos de resistência, hoje chamados de morte por intervenção de agentes do estado.

Leia Também

Foram 1.099 vítimas de janeiro a março, e 386 apenas no mês mais recente, representando, mais uma vez, o patamar mais baixo para os dois indicadores em 31 anos. Tanto a letalidade violenta quando os homicídios dolosos, isoladamente, apresentaram queda por volta dos 20% na comparação com o mesmo período do ano passado.

A análise do indicador de letalidade, porém, traz um alerta. Apesar da queda de 22,2%, em março, diante do mesmo mês em 2021, os 123 autos de resistência computados no período correspondem a quase um terço das mortes violentas no estado, enquanto a média nacional é de 12%. Há cerca de uma década, enquanto o projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) ainda estava a pleno vapor, o índice fluminense chegou a ser de apenas 9%.

“O ano passado foi o mais violento em termos de letalidade policial desde 2007, com a fatia de mortes pelas mãos de agentes do estado beirando os 40%. Assim, a redução registrada agora me parece muito mais um efeito desse patamar anterior elevadíssimo. E isso é um problema sobretudo porque, diante de todos os indicadores, com crimes contra o patrimônio e homicídios em queda, a questão das mortes em confronto é, hoje, o principal problema de segurança pública no estado. Mas pouco ou nada tem sido feito com o objetivo de reverter esse quadro” diz Daniel Hirata, professor de Sociologia e coordenador do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni), da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Em uma reportagem especial publicada em setembro do ano passado, o GLOBO mostrou que a redução nas mortes passa por um conjunto de fatores, como melhoras recentes na estrutura das polícias, questões demográficas e até mudanças na dinâmica entre grupos criminosos, sobretudo traficantes e milicianos. Isso porque as quedas mais expressivas, como o constatado à época, se dava justamente em locais que sofreram alterações profundas na geopolítica do crime organizado, seja com disputas históricas envolvendo quadrilhas rivais arrefecendo, seja com paramilitares conseguindo se instaurar e estabelecer o controle, sbujugando a concorrência.

Entre no  canal do Último Segundo no Telegram  e veja as principais notícias do dia no Brasil e no Mundo.