20/03/2015 14h10
Profissionais liberais, estudantes e produtores rurais presentes na palestra ministrada pela Embrapa durante a 41ª Exporã.
Divulgação: Dora Nunes
Entender a situação atual dos nematoides em Mato Grosso do Sul e a mudança no padrão de ocorrência nas lavouras foi o tema de uma palestra ministrada na noite do dia (18), pelo chefe da unidade da Embrapa Agropecuária Oeste, Engenheiro Agrônomo Guilherme Lafourcade As-mus, durante a realização da 41ª Exporã no Parque de Exposições “Alcindo Pereira”.
O foco da palestra foi justamente mostrar um panorama desses pequenos vermes que vivem no solo e que se alimentam de bactérias ou até mesmo fungos, e orientar sobre as precauções e as medidas a serem tomadas pelos setores envolvidos, para que se minimizem os danos do pro-dutor de soja.
Algumas espécies se alimentam justamente das raízes de plantas, como a soja. Esses vermes se enquadram em um grupo especial de interesse, denominado “Fitoparasitos”, ou seja, apenas se alimentam de vegetais e só conseguem se multiplicar na presença de uma planta viva. De acordo com o agrônomo, mudanças no modelo de produção favorecem aumento de nematoides. “Antes, o milho era usado em rotação. Agora, passou a ser usado na safrinha. Esse tipo de mudança influencia diretamente no aumento de nematoides”, disse Asmus.
É importante que o produtor utilize um modelo de produção que não permita que eles evolu-am”. Uma das espécies mais comuns é a Meloidogyne javanica, também conhecida como ga-lhas, por conta do formato que é originado. O agrônomo apresentou um estudo onde, de 258 cultivares de soja comerciais disponíveis, apenas 7% é resistente a espécie. Porém, a mais preo-cupante é a reniforme (Rotylenchulus reniformis).
Ele lembra que alguns problemas oriundos desta espécie podem confundir o produtor. “Mui-tas vezes, acham que o que acontece é problema de fertilidade, quando na verdade se trata de um nematoide”. Entre as variedades de soja resistentes ao nematoide reniforme, está a BRS 359 RR. Desenvolvida pela Embrapa e Fundação Meridional, a transgênica possui ciclo precoce e hábito de crescimento indeterminado, apresentando bom potencial produtivo, sendo indicada para cultivos na região centro-sul do Estado.
Guilherme Lafourcade Asmus também falou sobre o nematoide cisto, mais presente na regi-ão nordeste de Mato Grosso do Sul, ressaltando que um dos principais desafios é evitar disper-são de áreas monitoradas. O pesquisador finaliza ao dizer que dependendo do modelo de culti-vo, a produção agrícola fica mais ou menos vulnerável e, parte fundamental para fugir das per-das é entender os nematoides e o manejo. “Muitas vezes os nematoides não são a causa do pro-blema, mas estão lá por consequência de manejo inadequado”, ressalta.
Destinado aos produtores e empreendedores rurais, técnicos agrícolas, acadêmicos, entre ou-tros, a Frontec é uma feira onde são apresentadas palestras técnicas, fóruns de discussão, workshops ligados ao setor do agronegócio.
Sobre a Frontec: A Frontec, está sendo realizada graças às parcerias entre a Federação de Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul – (Sistema Famasul); Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/MS); Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS); Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS); Sindicato Rural de Ponta Po-rã; Prefeitura Municipal de Ponta Porã e Parque Tecnológico Internacional (PTin).
Texto e Fotos: Diogo Neto, assessor de imprensa do SRPP.

