03/06/2016 16h20
Proprietária de um dos sítios ocupados por índios em março deste ano em Dourados protesta contra demora no cumprimento da reintegração de posse
No domingo, dia 5 de junho, faz três meses que índios começaram a ocupar sítios localizados na região norte da cidade de Dourados, nos arredores da reserva dos guarani-kaiowá e terena. Barracos foram montados próximos às casas, cercas foram cortadas e lavouras queimadas. As áreas ocupadas ficam a menos de 10 km do centro da segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul.
Três meses depois, cinco propriedades continuam invadidas e os sitiantes protestam contra a lentidão da Justiça Federal em fazer cumprir a reintegração de posse, expedida no dia 11 de abril pelo juiz federal Jânio Roberto dos Santos.
Expulsa de casa – Mesmo acampados nos fundos das propriedades, os índios não invadiram as casas e quase todos os moradores permanecem nas áreas. Vanilda Alves Valintim é a exceção. Temendo pela vida do marido e dos filhos pequenos quando começou a invasão na madrugada de 5 de março, ela deixou a residência e nunca mais conseguiu voltar. Há 90 dias mora na casa da mãe, em Dourados.
“A reintegração saiu no dia 11 de abril e já se passaram muitos dias além do prazo dado pelo juiz para os índios desocuparem nossas propriedades. Aí pergunto ao senhor juiz: qual a dificuldade em assinar uma ordem para que os policiais façam a remoção dos cidadãos indígenas daquilo que é nosso? A cada dia aumentam os barracos em nossas terras”, afirma Vanilda ao Campo Grande News.
“Sabemos que não são índios desaldeados. São todos índios daqui da reserva e redondezas, gente que tem casa, carro, serviço fixo, amparados por políticos. Eu perdi minha casa, minha renda. O que mais aguarda o nosso juiz para retirar esse povo e nos devolver o que é nosso de direito por lei?”, questiona a proprietária.
“Pistoleiros” – A sitiante protesta contra o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e diz que o órgão vinculado à igreja católica deturpa a verdade através de vídeos “mal feitos e maquiados” divulgados no Youtube e transforma os proprietários rurais em “pistoleiros” e “assassinos”.
“São vídeos com conteúdos mentirosos. Até matéria saiu em jornais estrangeiros deturpando a verdadeira situação dos povos indígenas aqui de Dourados e região, sem nos dar chance de defesa. Aqui são cinco sítios ocupados, mas em todo o Estado de MS são 106 propriedades invadidas e nenhuma providência é tomada”, protesta Vanilda Valintim.
Ela também critica o MPF (Ministério Público Federal), que segundo a sitiante “nada fez” para apurar a denúncia dos próprios caciques da reserva de Dourados de que as invasões foram orquestradas por políticos e ONGs (organizações não governamentais). “Simplesmente se calaram”, afirmou.
“Meu apelo é para que se resolva o mais breve possível esse impasse. Preciso voltar a ter esperança de que o Brasil de fato caminha para um novo progresso e não para o retrocesso”, disse Vanilda Valintim.
Por CampoGrandeNews


