Empresário afirmou ao STF ter recebido ameaças por telefone e narrou cerco à residência por PMs.
13/12/2018 06h – G1
O ministro Luiz Edson Fachin determinou na quarta-feira (12) que a Polícia Federal investigue supostas ameaças narradas por Joesley Batista, dono do grupo J&F, um dos delatores ligados à Operação Lava Jato.
Segundo o ministro, Joesley relatou ter sido ameaçado por telefone dias após audiência na Justiça e narrou que a casa dele foi cercada por viaturas da Polícia Militar em razão de “falsas comunicações de crimes”.
O empresário informou ao STF que já comunicou as autoridades policiais, mas pediu proteção prevista em seu acordo de colaboração premiada.
Fachin ouviu a Procuradoria Geral da República sobre a questão, que pediu para que a Polícia Federal informe se há inquérito aberto para apuração das suspeitas. Além disso, pediu para que sejam informadas as providências para garantir a segurança de Joesley.
O ministro determinou que a PF informe se está investigando a questão e, se não estiver, que abra inquérito de imediato.
“Defiro o pedido, determinando seja oficiado ao Corregedor-Geral de Polícia Federal para que informe acerca da instauração de inquérito, bem como especifique as medidas de proteção implementadas com relação ao ora requerente. Desde logo, e diante da aquiescência da Procuradoria-Geral da República, caso ainda não instaurada essa investigação, determino sua deflagração imediata”, ordenou Fachin.
Na delação premiada, Joesley Batista narrou supostos crimes envolvendo o presidente Michel Temer, o senador Aécio Neves, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, entre outros políticos.
A PGR pediu rescisão do acordo por suspeita de que o empresário tenha omitido orientação do ex-procurador Marcelo Miller, quando ele ainda integrava o Ministério Público.
A expectativa é de que o Supremo só julgue a validade do acordo de delação da J&F no ano que vem.


