12/04/2014 08h20
“Debinha” como era conhecida entre os amigos e familiares faleceu durante esta madrugada
Dora Nunes com informações Gazetanews
Após travar uma longa luta contra o câncer, faleceu na madrugada desse sábado, 12 de abril, em Campo Grande onde estava internada, a professora e empresária de Amambai, Déborah Quinzani, a “Debinha”, como era mais conhecida entre os familiares e amigos.
A notícia do falecimento foi dada pelo esposo da empresária, Fábio Quinzani, que tem uma loja de móveis em Amambai e comoveu toda a população.
No decorrer dessa semana uma corrente de pessoas, não só de Amambai, mas de toda a região, se formou para fazer doação de sangue em prol da professora, que necessitava com urgência de plaquetas.
Durante o período que lutou contra a doença, Débora, que é filha do ex-vereador e atual secretário de habitação de Amambai, Josué Carlos de Barros, o “Josué da Pedreira”, nunca se entregou e inclusive cedeu sua imagem para a realização de campanhas de combate ao câncer e inclusive campanha publicitária em prol do Hospital do Câncer de Campo Grande, unidade de saúde onde realizou a maior parte de seus tratamentos. Débora sempre elogia em redes sociais o tratamento que recebia no Hospital do Câncer e o carinho dos médicos e enfermeiros.
Em uma dessas campanhas a empresária, que deixa três filhos menores de idade, gravou um vídeo com a dupla sertaneja João Bosco & Vinícius visando despertar a população no sentido de auxiliar a instituição com donativos.
Débora era formada em Pedagogia e fez seu curso superior na Faculdades Magsul em Ponta Porã. Era uma pessoa muito querida e a sua fé, força e esperança em vencer a doença era o que mais chamava atenção, basta olhar suas fotos, em que mesmo em momentos difíceis, o sorriso não saía de sua boca.
O corpo de Déborah Quinzani está sendo translado para Amambai onde residia e será velado na Igreja Presbiteriana do Brasil, aos fundos da Prefeitura local. O sepultamento acontecerá no final da tarde de hoje, sábado.
A direção do Pontaporainforma se solidariza com a família de Débora e com todos os amambaienses.
O Brasil está às vésperas de uma epidemia de câncer
Essa foi a afirmação do oncologista Carlos Barrios, em recente matéria no site IG, onde ele afirmou que é menos para causar pânico – se é que isso é possível – e mais para fazer com que o País responda a um questionamento crucial para o enfrentamento da doença. “A pergunta é: ‘quanto vale a vida com câncer no Brasil’?”, questiona o médico, que é membro do Grupo Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama (Gbecam).
O Relatório Mundial do Câncer 2014, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o número de novos casos pule de 14 milhões em 2012 para 22 milhões em 2030. Mais de 70% das mortes pela doença acontecem em países em desenvolvimento, onde a detecção tardia, a demora em iniciar o tratamento e a falta de acesso a medicamentos de última geração explicam boa parte dos óbitos. No Brasil, em dez anos o câncer será a primeira causa de morte – hoje é a segunda, responsável por 15,6% dos óbitos, atrás das doenças cardiovasculares, como infarto e hipertensão.
Se o crescimento da incidência é um fato, o problema é a falta de estrutura para enfrentar essa epidemia, pondera Barrios. “O câncer é uma doença que pode ser curada, pode ser controlada. Nos países desenvolvidos, apesar do aumento da incidência, a morte tem caído. Aqui, crescem as duas coisas”.
Um exemplo típico é o câncer de mama. No Brasil, no ano 2000, a doença matava nove a cada cem mil mulheres. Em 2011, o número subiu para mais 11,9. Um movimento na contramão do mundo desenvolvido, em que a chance de cura para esse tipo de tumor chega a 90%. Por aqui, o porcentual é de cerca de 50%.
“O câncer daqui não é pior do que o de lá. A diferença é de que lá há diagnóstico precoce e acesso rápido a atendimento, o que não acontece por aqui”, afirma Maira Caleffi, mastologista e presidente da Femama, Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama
Quanto vale uma vida?
No Brasil, explica Maira, apesar de desde o ano passado a lei prever que o atendimento a pacientes com câncer deve ser iniciado em até 60 dias após o diagnóstico, o prazo não é cumprido no Sistema Único de Saúde (SUS), que atende a cerca de 75% da população. “No SUS, demoram 180 dias entre a detecção e o início do tratamento do câncer de mama. Imagina o que esses seis meses significam na diminuição da chance de cura.”
Isso sem contar o acesso limitado e atrasado às opções de tratamento, explica Barrios. Em pacientes com câncer de mama com metástase – que tem menor incidência, mas é muito mais agressivo -, há uma medicação específica, a Trastuzumabe, que é curativa. “O potencial remédio foi descoberto em 2005, mas a droga só ficou disponível no SUS em 2012. Nesse período de tempo, entre 5 a 6 mil mulheres morreram por falta de acesso a esse medicamento”, diz o médico.
Nesse período, Barrios afirma, os convênios foram obrigados pelo próprio governo a oferecer o tratamento com a droga, que é cara, mas as pacientes da saúde pública se mantiveram à margem. “É uma discrepância absurda. O médico deve prover prescrições diferenciadas frente a um mesmo diagnóstico para uma paciente do SUS e para uma de saúde suplementar, uma vez que o SUS não fornece o medicamento necessário?”
Decidir ou não investir no tratamento de milhares de mulheres, afirma o oncologista Carlos Barrios, depende de incluir todas as partes envolvidas no processo – administração pública, sociedade civil, sociedades médicas e indústria farmacêutica – para responder a um único dilema ético: “Quanto vale uma vida? Quanto estamos dispostos a investir para manter viva uma pessoa com câncer?”





