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Família teme que autor da morte de Alêh Molina possa ficar impune

11/01/2014 09h10

Família teme que autor da morte de Alêh Molina possa ficar impune

A 5ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também foi acionada para acompanhar o caso

Divulgação (TP)

A família do jovem Alex Sandro Molina (17), assassinado por um policial militar durante uma blitz montada na Vila Áurea, em Ponta Porã, no dia 21 de maio de 2013, teme que o autor do homicídio possa acabar ficando impune.

O temor é baseado no fato de que o policial estaria sendo processado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), mesmo tendo disparado, segundo testemunhas, por três vezes consecutivas nas costas do rapaz, com uma pistola “Ponto 40”.

Dos três tiros, conforme teria sido apurado, um projétil varou a mochila, outro ficou alojado no interior, entre roupas e livros e o terceiro atingiu fatalmente as costas de Alêh Molina, matando-o instantaneamente.

O réu, o policial militar Nader Sharif, continua trabalhando, de acordo com informações do comando do 4º Batalhão da Polícia Militar, onde o PM estava lotado. Porém, foi transferido para Dourados, logo após o episodio, por motivo de segurança.

A reportagem procurou a delegada Marina Conceição, responsável pelo inquérito, mas, ela estava numa audiência na manhã desta sexta-feira (10) e não pode receber a imprensa.

Num contato mantido no final de 2013, a delegada disse que o inquérito policial que investiga o assassinato do jovem Alex Sandro Molina continua aberto, aguardando o resultado do laudo de exame de comparação balística.

Na ocasião, ela lamentou a demora, principalmente pelo fato de que este exame (por enquanto) tenha que ser feito no laboratório de Campo Grande, onde o acúmulo de perícias dificulta a apresentação de resultados mais breves.
Ela acredita que o laudo seja definitivo para encerrar o inquérito e apresentá-lo à Justiça, mas, “pode haver necessidade de fazer uma reconstituição do caso”, completa.

Procurada também, ainda na manhã desta sexta, a promotora de Justiça, Gislaine Dal Bo, disse que o processo até pode estar enquadrado como homicídio culposo na esfera da Polícia Civil. Todavia, quando for encaminhado ao Ministério Público (já foi pedido prorrogação de prazo), quem decide como o réu será denunciado é o promotor de Justiça. Portanto, não há o que questionar no momento sobre os procedimentos da Justiça em torno da acusação ou condenação do acusado.

A 5ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também foi acionada na manhã desta sexta-feira, através de seu presidente, o advogado Modesto Rojas, que se comprometeu a fazer com que o Conselho de Direitos Humanos da OAB passe a acompanhar o caso de perto.

No 4º Batalhão da Polícia Militar as informações dão conta de que a Corregedoria abriu inquérito policial militar e um procedimento administrativo para apurar as circunstâncias que envolveram o homicídio e tomar as providências cabíveis para punir ou não o policial alvo das acusações.

Todavia, ninguém tinha conhecimento do resultado destas iniciativas. O comando daquela unidade militar ficou de entrar em contato com a reportagem para oferecer informações a respeito até a tarde desta sexta-feira, mas, até às 15h00min isto não ocorreu.

O EPISÓDIO

Testemunhas que presenciaram o episódio ocorrido no final da noite da terça-feira (21 de maio), na Vila Áurea, em Ponta Porã, afirmam que o policial militar Nader Sharif, lotado no 4º Batalhão da Polícia Militar, assassinou friamente o jovem Alex Sandro da Silva Molina (17), depois que este tentou fugir de uma blitz montada pela PM na Rua Pedro Ângelo da Rosa.

As mesmas pessoas garantem que, em resumo, o que ocorreu foi que, depois de sair do trabalho, na Lanchonete Tio Luiz, no centro de Ponta Porã, “Alêh” dirigiu-se para casa, no Ipês II, ocupando uma motocicleta de procedência paraguaia, em companhia de outro jovem, colega de trabalho.

Ele trafegava em companhia de outros dois colegas de trabalho (todos usavam uniformes), que ocupavam outra moto pela Rua Ismal (antiga Rua 12 de Outubro), no sentido bairro/centro e, ao entrar na Rua Pedro Ângelo da Rosa, avistou o bloqueio policial. Como já havia tido a motocicleta apreendida por duas vezes, pensou em fugir da blitz, para não ter sua moto apreendida outra vez, já que não tinha habilitação e a moto não tinha placa. Decidiu fazer a volta e não passar pelos policiais.

Fez com que seu companheiro descesse da moto e fugiu, retornando para a Rua Ismal, desta vez entrando à esquerda, em direção ao Hospital Regional. As testemunhas dizem que o policial Nader Sharif – que já confessou a autoria do homicídio – correu até a esquina e efetuou vários disparos de pistola “Ponto 40”, atingindo a vítima pelas costas.

Ainda de acordo com o relato de quem presenciou o fato, policiais ocupando outra viatura saíram do local da blitz indo atrás da vítima, e, ao chegarem em frente à escola “Adezinho”, se depararam com o rapaz agonizando.

Em seguida passaram uma mensagem pelo rádio para a outra viatura dizendo: “deu merda, o menino está morto, libera o pessoal que está aí e vamos embora”.

O corpo foi removido do local pelos próprios policiais, sem a presença da perícia e “jogado” no Hospital Regional, sem qualquer registro da ação policial.

A família quer a prisão imediata do acusado e uma indenização do Estado pela perda do filho e pelos danos psíquico-emocionais sofridos que pode chegar a R$ 1 milhão.

O governador André Puccinelli recebeu em mãos um manifesto de colegas, amigos e familiares da vítima e pediu providências imediatas para o secretário de Segurança Pública, WantuirJacini Brasil. Até agora, nada, e o policial acusado continua em liberdade e trabalhando.

Por: Edmondo Tazza

André Puccinelli recebe manifesto das mãos de Alencar Molina, irmão de Alêh (detalhe), na presença do prefeito Ludimar NovaisFoto: arquivo