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quarta-feira, 30 de setembro, 2026

Fármacos antiobesidade: não basta emagrecer, é preciso perder peso com segurança

Banalização do uso e perda de massa muscular entram no radar dos especialistas

A popularização dos medicamentos para tratamento da obesidade trouxe novos desafios para médicos e pacientes. Se em 2025 as discussões durante o Congresso Brasileiro de Nutrologia já alertavam para a corrida pelas canetas emagrecedoras, em um contexto de crescimento da obesidade em todo o mundo, o CBN 26 – XXX Congresso Brasileiro de Nutrologia (CBN 2026) e III World Congress of Nutrology, que marcou os 30 anos do evento, mostrou que os desafios agora são outros.

Os atuais fármacos baseados em incretinas, como os agonistas de GLP-1 e GIP, continuaram em evidência, mas novas questões ganharam espaço nas discussões entre especialistas: como controlar a banalização do uso desses medicamentos? Como promover uma perda de peso eficaz sem comprometer a massa muscular? Como monitorar a avalanche de fake news associadas aos resultados milagrosos com o uso desses medicamentos e garantir que essas terapias sejam utilizadas de forma segura, com indicação e acompanhamento médico?

“Podemos dizer que vivemos um momento de desafio sanitário, com a aquisição de produtos não reconhecidos pela ANVISA, sem armazenamento adequado, fora da temperatura ideal e o uso sem prescrição. O resultado começa a se refletir no aumento de casos de pancreatite, por exemplo, ou outros efeitos colaterais, que seriam controlados se houvesse um acompanhamento médico”, alerta o Prof. Dr. Durval Ribas Filho – médico mutrólogo, Fellow da The Obesity Society – TOS (USA), presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e palestrante do CBN 26.

O especialista ressalta que sempre há o risco de um processo de banalização, mas que o momento que estamos vivendo hoje exige uma atenção especial dos médicos e das autoridades, considerando que a obesidade é uma doença crônica, com dezenas de comorbidades, e precisa de orientação nos seus cuidados.

“Muitas pessoas estão tomando o medicamento por questões estéticas apenas, induzidas muitas vezes por promessas milagrosas nas redes sociais, sem estarem atentas aos riscos. E, certamente, terão reganho de peso se não forem orientadas ao longo do tratamento, pois não há fórmulas milagrosas, mas tratamentos que podem garantir um controle e melhor qualidade de vida, pois uma vez obeso, a pessoa sempre será obesa, pela própria característica da doença”.

Fármacos antiobesidade: não basta emagrecer, é preciso perder peso com segurança
Prof. Dr. Durval Ribas Filho  – Presidente da ABRAN

Perda de peso não é apenas o número da balança

Outro ponto que ganhou destaque no congresso, associado às canetas emagrecedoras, foi a perda de massa magra, com impacto também na saúde óssea, que pode gerar risco de quedas e fraturas, por exemplo.

“À medida que essas terapias se tornam mais populares, é preciso avaliar as novas realidades enfrentadas por médicos e pacientes. A redução de peso não deve ser avaliada apenas pelo número indicado na balança. Preservar a massa muscular, assegurar uma nutrição adequada e acompanhar a resposta individual ao tratamento são aspectos cada vez mais essenciais”, alerta o Presidente da ABRAN e palestrante do CBN 26.

Congresso amplia debate em várias áreas da Nutrologia

Considerado o maior evento do mundo na especialidade, o CBN 26 reuniu mais de 3,5 mil profissionais de saúde e contou com uma programação dedicada aos principais avanços científicos relacionados à nutrição, metabolismo, obesidade, diabetes e longevidade.

Entre os destaques estiveram a NutroPediatria, NutroGeriatria, Nutrologia do Esporte, Nutrologia na Saúde da Mulher e NutroDermatologia. As discussões também deram ênfase à importância da microbiota na qualidade de vida e no eixo cérebro-intestino; à qualidade de vida feminina em todas as fases da vida, em especial na menopausa; à relevância da prática orientada de exercícios físicos e aos cuidados com nutrição enteral e parenteral.

Ao completar três décadas, o Congresso encerrou mais uma edição deixando em evidência não apenas os avanços relacionados ao tratamento da obesidade, mas também os novos desafios que acompanham a evolução dessas terapias e a necessidade de um olhar cada vez mais amplo para nutrição, metabolismo, qualidade de vida e longevidade.

Fonte: Edna Vairoletti