28/07/2014 06h20
Fazendas importam trabalho escravo do Paraguai
“Nesta cadeia produtiva, existe o trabalho escravo e o tráfico internacional de pessoas, em função de que os paraguaios atuam em carvoarias em Porto Murtinho, Caracol e Bela Vista”, afirma o procurador do Trabalho Cícero Rufino.
Correio do Estado
O Ministério Público do Trabalho (MPT) investiga o aumento de casos de paraguaios aliciados para trabalhar em situação análoga à escravidão, nas carvoarias de Mato Grosso do Sul, de acordo com matéria divulgada ontem domingo (27) no jornal Correio do Estado. Para o MPT, além de sustentar a base da cadeia produtiva do aço brasileiro, estes trabalhadores são vítimas do tráfico internacional de pessoas. “Nesta cadeia produtiva, existe o trabalho escravo e o tráfico internacional de pessoas, em função de que os paraguaios atuam em carvoarias em Porto Murtinho, Caracol e Bela Vista”, afirma o procurador do Trabalho Cícero Rufino.
Somente na última visita técnica, em 4 de julho, foram flagrados 15 trabalhadores, sendo 11 paraguaios, em condições precárias de alojamento em uma fazenda no município de Bela Vista, na fronteira com o vizinho Paraguai.
Segundo Cícero, todos eles atuavam na produção de carvão vegetal. “Estavam na carvoaria em total condição degradante de trabalho, sem equipamentos de proteção individual (luvas, botas e outros)”. Durante a abordagem, o proprietário confirmou que o carvão produzido no local abastece a siderúrgica Vetorial, de Corumbá. Revelou, também, que mantinha negócios com a siderúrgica desde o ano de 2008, quando ainda pertencia à empresa MMX.
O relatório anual do grupo de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostra o aumento, nos últimos três anos, de estrangeiros atuando de forma irregular na região de fronteira. Em 2013, foram 54 trabalhadores estrangeiros resgatados nestas condições, contra apenas cinco casos registrados em 2012. Já no ano de 2011, não houve sequer um trabalhador encontrado em situação de “escravidão”.


