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quinta-feira, 29 de outubro, 2026

Fechamento de lojas acende debate sobre futuro do varejo em Ponta Porã

Em agosto de 2026, o encerramento da unidade das Casas Bahia no centro da cidade chamou a atenção dos moradores.

O fechamento de lojas em Ponta Porã preocupa porque pode afetar empregos, reduzir a circulação de consumidores e deixar imóveis comerciais desocupados. O impacto não se limita às grandes redes: pequenos estabelecimentos próximos também podem sentir os efeitos da diminuição do movimento nas ruas.

Em agosto de 2026, o encerramento da unidade das Casas Bahia no centro da cidade chamou a atenção dos moradores.

Segundo o Sindicato dos Empregados no Comércio de Campo Grande (SECCG), sete unidades da rede encerraram suas atividades em Mato Grosso do Sul, atingindo aproximadamente 130 trabalhadores no estado. Os números mostram que as consequências das decisões empresariais ultrapassam as portas dos estabelecimentos.

Compras pela internet estão mudando o varejo tradicional?

O crescimento das compras pela internet está transformando o varejo tradicional, mas não é o único fator por trás do fechamento de estabelecimentos físicos. Custos operacionais, endividamento, condições de crédito e estratégias de grandes redes também influenciam decisões sobre a continuidade das unidades.

Na prática, o consumidor passou a comparar preços sem precisar visitar várias lojas. Em poucos minutos, consegue avaliar produtos, calcular o frete e verificar benefícios como um cupom do Mercado Livre antes de decidir onde finalizar uma compra.

Essa facilidade aumenta a pressão sobre estabelecimentos que dependem exclusivamente das vendas presenciais. Para competir, fatores como atendimento personalizado, entrega rápida, disponibilidade imediata e boas condições de pagamento ganham importância.

Isso não significa, porém, que as lojas físicas estejam condenadas a desaparecer. Em segmentos nos quais o consumidor valoriza experimentar o produto, receber orientação ou retirar a mercadoria imediatamente, o atendimento presencial continua sendo uma vantagem competitiva.

Concorrência com o Paraguai amplia os desafios do comércio local

A concorrência com o Paraguai representa outro desafio para o comércio de Ponta Porã. A cidade faz fronteira direta com Pedro Juan Caballero, onde consumidores encontram estabelecimentos com diferentes condições de preços, tributação e variedade de produtos.

Em outubro de 2026, o presidente do Sindivarejo de Ponta Porã, Mauro de Jesus, destacou a dificuldade enfrentada pelos comerciantes diante da concorrência fronteiriça. Na ocasião, ele alertou para o risco de consumidores atravessarem a fronteira quando não encontram estabelecimentos abertos no lado brasileiro.

Apesar da disputa, a proximidade entre as cidades também representa uma oportunidade. Eventos como a Black Friday Frontera, realizada em setembro de 2026, demonstram o potencial de campanhas conjuntas para atrair visitantes, movimentar lojas e estimular atividades ligadas ao turismo de compras.

Varejo de Mato Grosso do Sul cresce apesar do fechamento de lojas

O varejo de Mato Grosso do Sul apresenta crescimento mesmo diante do fechamento de unidades comerciais. Dados do IBGE, reunidos pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS), mostram que o varejo ampliado estadual cresceu 7% entre janeiro e agosto de 2026.

No mesmo período, a média nacional de crescimento foi de 1,7%. O desempenho indica que o encerramento de estabelecimentos específicos não significa necessariamente uma retração de todo o setor.

Os indicadores, entretanto, representam o estado e não permitem concluir que todos os segmentos ou municípios estejam crescendo no mesmo ritmo. Para Ponta Porã, o desafio é transformar a atividade econômica em oportunidades concretas para comerciantes, trabalhadores e novos empreendedores.

O que pode fortalecer o comércio de Ponta Porã nos próximos anos?

O fortalecimento do comércio de Ponta Porã depende da capacidade dos estabelecimentos de combinar atendimento presencial, presença digital e estratégias adequadas às características da fronteira. A adaptação pode envolver vendas pelo WhatsApp, divulgação nas redes sociais, entregas locais e campanhas promocionais.

A diversificação das atividades também merece atenção. Produtos ligados à identidade regional, como a erva-mate consumida no tradicional tereré, convivem com diferentes segmentos do varejo, incluindo alimentação, vestuário e autopeças. Cada atividade possui demandas próprias e diferentes possibilidades de integração com as vendas digitais.

Para os estabelecimentos menores, conhecer o público da região pode representar uma vantagem diante das grandes plataformas. Atendimento próximo, confiança, facilidade para trocas e disponibilidade dos produtos são fatores que podem influenciar a escolha do consumidor.

O fechamento de grandes lojas, portanto, não determina sozinho o futuro do varejo em Ponta Porã. A cidade enfrenta mudanças importantes, mas também possui características comerciais e culturais que podem favorecer novos modelos de negócio. O desafio será preservar empregos e a vitalidade do centro comercial enquanto os hábitos de consumo continuam evoluindo.