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sábado, 17 de outubro, 2026

Felipinho e a dura batalha para vencer a Leucemia

26/06/2014 10h10

Os médicos achavam que ele não ia sobreviver

Diarioweb

Luiz Felipe Vieira, de 12 anos, compartilha do sonho da maioria dos garotos dessa idade: ser jogador de futebol. Acontece que, há três anos, os planos do xará do técnico da Seleção Brasileira passaram por uma reviravolta e o menino teve de entrar no jogo da vida. Seu maior adversário nessa disputa? A leucemia. Felipinho trava uma batalha pela vida desde 2002, ainda na barriga da mãe dele, Leny de Fátima Valério, 49 anos, que estava grávida de gêmeos. “Foi uma surpresa para mim, pois o pai dos meninos tinha dificuldade para ter filhos. Desde o começo, os médicos disseram que era uma gravidez de risco, para mim e para os meninos. Luiz Felipe já demonstrava que tinha algum problema. Os médicos achavam que ele não ia sobreviver.”

Desde o quarto mês, Leny foi internada em um hospital em São Paulo, onde morava. Luiz Jonathan e Luiz Felipe nasceram de oito meses. “Felipe ficou dois meses internado e com sete meses teve a primeira convulsão. Durante dois anos ele tomou remédio tarja preta e os médicos falavam que ele teria sequelas. Com três anos, ele teve meningite e foi parar na UTI. Por diversas vezes, tive medo que ele fosse morrer. Já Luiz Jonathan não apresentou nenhum problema”, conta Leny. Passado todo o susto, Luiz Felipe estava levando uma vida normal, apesar de sempre reclamar com dores nos pés e nas pernas. “Ele já estava com nove anos, quando passou muito mal. Levamos para o hospital, fizeram uma bateria de exames e descobriram que ele tinha leucemia mieloide aguda, uma das formas graves da doença, que atinge principalmente pessoas idosas.”

Depois do diagnóstico, o garoto foi encaminhado para o Grupo de Apoio ao Adolescente e a Criança com Câncer (Graacc), em São Paulo. O menino começou a apresentar uma melhora no quadro clínico, mas a família passou a enfrentar dificuldades. “Dediquei toda a minha vida ao Luiz Felipe e acabei perdendo o pouco que tinha. Vim para Mirassol com os meus filhos só com a roupa do corpo, já que alguns familiares moram aqui”, disse Leny, que é separada do marido e decorou a casa alugada com itens que tirou do lixão.

Atualmente, a família vive de doações. “Não passamos fome, mas dependemos da boa vontade das pessoas. Não tenho dinheiro para pagar as contas e nem para comprar alguma comida que possa atrair Luiz Felipe, porque ele quase não quer comer.” A família precisa ser criativa para fazê-lo se alimentar. Apesar das dificuldades, Luiz Felipe mantém vivo o sonho de ser jogador de futebol. “Hoje, eu brinco menos com o meu irmão e jogo menos, mas espero ter uma vida normal e ser um grande jogador”, afirma o garoto, de voz serena, olhar desconfiado e de uma timidez cativante.

Longe da escola, mas com esperança

Desde que a família se mudou para Mirassol, Felipinho passou a ser tratado no Hospital e Maternidade da Criança (HMC), em Rio Preto. A medicação é fornecida pelo hospital e pelo Graacc. “Acontece que há um mês, ele teve uma crise muito forte. Durante uma semana, ele chorava de dor, falava que não queria mais viver, pois não aguentava mais sofrer. Foi quando ele ficou internado e descobriu que estava também com leucemia linfoide aguda.” Devido à nova doença, o garoto teve de parar de frequentar a escola e quase não vai a local com muita gente, devido à imunidade baixa. “Ele começou a fazer quimioterapia e transfusão de sangue. Além disso está se cogitando a possibilidade da transplante de medula.”

Campanha

Diante dessa nova situação, a família começou a fazer uma campanha em busca de doadores de sangue e possíveis doadores de medula. Para ajudar, basta ir até o Hemocentro de Rio Preto e apresentar o nome do garoto na hora da doação do sangue. “Precisamos muito da ajuda de todos. Principalmente candidatos para doar medula. Essa é a nossa esperança”, disse a mãe dos gêmeos, em lágrimas. O Hemocentro fica na avenida Jamil Feres Kfouri, nº 80, bairro Jardim Panorama. Horário de funcionamento de segunda-feira à domingo, inclusive feriados, das 7h às 13h. Devido ao jogo da Seleção do Brasil, no sábado, a unidade funcionará até ao meio dia. Informações (17) 3201-5151.

Edvaldo Santos