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Frio, jovem contou à polícia como matou primo de 4 anos

17/04/2014 21h50

Caio era muito amoroso, e deu um bombom para o primo cerca de meia hora antes de ser morto.

O Globo

O adolescente de 14 anos que confessou ter matado o primo, de apenas 4, no Complexo da Maré, disse que cometeu o crime porque o menino estava alegre, assistindo à televisão, e ele queria que o garoto ficasse quieto. Segundo o site do jornal Extra, em entrevista coletiva no final da tarde desta quinta-feira, o delegado Rivaldo Barbosa, titular da Divisão de Homicídios (DH), disse que o jovem contou detalhadamente à polícia como foi o crime. Primeiro, ele sufocou Caio Henrique Santos da Silva, que acabou desmaiando. Em seguida, levou o garoto para o quarto, pegou uma faca de cozinha e deu quatro golpes nele. O corpo foi então escondido pelo adolescente primeiro dentro do armário, e em seguida, na máquina de lavar da casa, coberto por um edredon. O corpo foi encontrado pela irmã de Caio, Anne Karolina, de 13 anos, na manhã desta quinta-feira.

  • Ele (adolescente) é frio e não gaguejou em nenhum momento. Contou como cometeu o crime tomando refrigerante e comendo – afirmou o delegado.
    Ainda de acordo com Rivaldo, Caio era muito amoroso, e deu um bombom para o primo cerca de meia hora antes de ser morto. O delegado Delmir Gouveia, titular da 21ª DP (Bonsucesso), já havia dito que adolescente – que tem passagem pela polícia por furto – teve um “acesso de raiva”.

A arma do crime já foi apreendida pela DH. Ainda segundo a polícia, o adolescente é de Mangaratiba, e foi para a Maré na terça-feira, após seu irmão mais velho ter falado que ele não poderia voltar para casa. A mãe de Caio já tinha avisado ao adolescente que ele não poderia ficar por lá.

Mais cedo, o adolescente teve que sair da casa onde ocorreu o crime dentro de um tanque do Exército. Ameaçado de linchamento pelos vizinhos, da Baixa do Sapateiro, no Complexo da Maré, o jovem foi escoltado por 60 militares da Brigada Paraquedista, que fizeram duas filas de contenção no local. Os moradores jogavam pedras e sapatos contra o rapaz e pediam “Justiça”. Os paraquedistas lançaram então bombas de gás lacrimogêneo. Dentro do tanque ele seguiu, por volta de 14h20, para a 21ª DP (Bonsucesso). De lá, foi levado de viatura da Polícia Civil, para a Divisão de Homicídios, na Barra da Tijuca.

De acordo com o relações-públicas da Força de Pacificação, major Alberto Horita, a criança desapareceu na noite de quarta-feira, após uma manifestação de moradores na favela. O ato era contra militares do Exército que haviam prendido um homem suspeito. Houve tumulto, e manifestantes chegaram a lançar coqueteis molotov na direção dos militares. O clima é tenso na favela.

O corpo do menino foi encontrado na manhã desta quinta-feira, amarrado dentro da máquina de lavar roupas da mãe, Vanessa Lima dos Santos, de 31 anos, que esteve na 21ª DP (Bonsucesso) para registrar o desaparecimento do filho na manhã desta quinta-feira. Era lá que ela estava quando soube que o menino havia sido encontrado morto.

Policiais da DH foram ao local, e militares do Exército e da Força de Pacificação deram apoio. Segundo o major, moradores tentaram, na tarde desta quinta-feira, fazer um protesto para apontar quem seria o suspeito de executar a criança.

Caio, de 4 anos, foi encontrado morto em casa TV Globo / Reprodução