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quinta-feira, 18 de abril, 2024
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Fronteira: Um ano sem o jornalista Léo Veras

O crime ocorreu por volta de 19h de 12 de fevereiro de 2020

Hoje completa um ano da execução do jornalista brasileiro Lourenço Veras, o Leo. O crime ocorreu por volta de 19h de 12 de fevereiro de 2020, no Jardim Aurora, em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia vizinha de Ponta Porã (MS).

Amigo de todos, respeitado no jornalismo policial e sempre pronto para colaborar no que for preciso com colegas de outras cidades e de outros estados, Leo Veras, morto aos 52 anos de idade, foi mais uma das centenas de vítimas da violência que impera na linha internacional entre o Paraguai e Mato Grosso do Sul.

“Do que precisa, maninho?”, perguntava ele, em mensagem de texto ou áudio enviado pelo WhatsApp sempre que era chamado para ajudar a apurar as ocorrências diárias da fronteira que tanto rendem visualizações e comentários na internet.

Leo Veras estava em casa com a família na noite daquela quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020, poucos dias antes de o mundo ser sacudido pela pandemia do novo coronavírus.

Ele jantava com a esposa, a estudante de medicina Cinthia González, o sogro e os dois filhos do casal quando os matadores chegaram e foram entrando. Quando percebeu que era o alvo dos pistoleiros, Leo correu para o fundo do quintal e os tiros começaram.

Minutos depois, o corpo do jornalista foi encontrado no quintal, com um pano no rosto. Ele foi morto com pelo menos 15 tiros de pistola 9 milímetros.

Logo após a execução, várias pessoas chegaram a ser apontadas como suspeitas, foram presas, tiveram as casas vasculhadas, mas até agora não existe qualquer pista concreta que leve aos criminosos.

“Lastimosamente, a morte do nosso amigo não foi esclarecida e nunca será, assim como ocorreu com todos os outros jornalistas vítimas do crime organizado na fronteira”, disse um repórter, na condição de anonimato total.

Até uma força-tarefa formada por promotores de Justiça da capital Asunción foi montada para investigar a execução de Leo Veras, mas nada adiantou. Um ano depois, o crime caiu no esquecimento.

“Tudo é cinzento” – Só não se esqueceram e nunca esquecerão de Leo Veras os seus amigos e familiares. A esposa dele, Cinthia González, a filha de 15 anos e o filho de 12 lembram do pai todos os dias e até hoje esperam por justiça.

Cinthia González e os filhos tentam seguir em frente. Ela termina em agosto deste ano o estágio da faculdade de medicina que cursa em Pedro Juan Caballero. A pandemia atrasou tudo. O site fundado por Leo, o Porã News, continua ativo, com muita dificuldade. “Está cada vez mais difícil manter no ar com uma única publicidade de 300 reais”, disse ela.

“Chegar em casa e saber que não vou poder contar pra ele como tem sido, é muito difícil. Tínhamos muitos sonhos por realizar juntos, estou caminhando sozinha para poder realizá-los. Cada pedacinho dos nossos corações sente muita falta dele”, diz a viúva.

Cinthia afirma que as lembranças e a aprendizado são o que restaram de Leo Veras. “Só tenho que agradece pelo pai, marido, amigo e profissional que ele foi. Uma parte de mim foi embora com ele! Desde a hora que ele se foi, minha vida virou mar sem onda. Não importa o tempo, não interessam novas chances na vida, porque sem ele junto, tudo é cinzento”.

CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS