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quarta-feira, 21 de outubro, 2026

Funcionário de trailer diz à polícia que delegado da PF iniciou tiroteio em casa de prostituição

03/06/2017 10h10

Ele e outra testemunha foram ouvidos e liberados. Dois policiais federais do RJ morreram e o dono de um cachorro-quente ficou ferido em Florianópolis.

G1

Dois homens se apresentaram na Delegacia de Homicídios de Florianópolis e prestaram depoimento sobre o tiroteio que matou dois delegados da Polícia Federal do Rio de Janeiro e feriu o dono de um trailer de cachorro-quente, na madrugada de quarta-feira (31). Segundo um dos depoimentos, ao qual o RBS Notícias teve acesso, os tiros teriam partido primeiro do lado dos delegados.

“O mais velho que estava atrás do depoente (…) o puxou pelo braço e efetuou um disparo próximo a sua orelha”, diz o depoimento.

Outras testemunhas, entre taxistas e garotas de programa que trabalham no local, já haviam prestado depoimento à polícia. Uma das mulheres afirmou que os dois policiais federaischegaram de táxi, embriagados, e que houve uma confusão no local. Esses depoimentos anteriores não afirmavam de onde teria partido o primeiro disparo.

Os dois homens, funcionários do dono do trailer, foram ouvidos nesta sexta (2) na condição de testemunhas e liberados. O dono do trailer, suspeito de ter feito os disparos que mataram os dois delegados, segue internado e ainda não deu sua versão sobre o crime.

Policiais chegaram na madrugada

Em depoimento, uma das garotas de programa, que trabalha e mora na casa, contou que os dois policiais chegaram por volta das 2h, acompanhados por um taxista já conhecido dela. Ela afirmou que um deles levantava a blusa e deixava aparecer uma pistola na cintura. Segundo o relato dela, os dois estavam embriagados e insistiam em querer mais bebida.

Durante a conversa, os dois teriam convidado ela e uma outra amiga, também garota de programa, para acompanhá-los ao hotel onde estavam hospedados, mas elas recusaram. Ainda conforme o relato, os dois insistiram e ela pediu ao taxista que levasse os delegados embora.

Houve uma discussão. Ainda conforme a testemunha, a amiga, os dois delegados, o taxista, o dono de um trailer de cachorro-quente da região e um funcionário dele desceram juntos até a porta. Segundo a mesma testemunha, ela ouviu uma voz dizer: “Pensa com quem estás falando? Aqui é Polícia Federal”.

Depois, outra pessoa gritou: “perdeu, perdeu”, afirmou ela, que em seguida disse ter ouvido uma série de tiros.

O delegado Elias Escobar, de 60 anos, era chefe da Polícia Federal em NiteróI (RJ) e foi atingido por tiros na cabeça e no peito. Ele morreu no local.

O delegado Adriano Soares, de 47 anos, chegou a ir para o hospital, mas morreu em seguida. Ele era chefe da Polícia Federal em Angra dos Reis (RJ). Em nota, a corporação esclareceu que ele apenas abriu o inquérito sobre o acidente aéreo envolvendo o Ministro Teori Zavaski. As investigações estão sendo conduzidas por uma delegacia especializada em Brasília, sem qualquer ligação com o delegado.

Dono de cachorro-quente recebeu voz de prisão

Marcos Paulo, advogado do dono do trailer de cachorro-quente, de 36 anos, afirma que seu cliente possui registro da arma, que está apreendida, mas não tinha autorização para portá-la. O advogado levantou a hipótese de que ele reagiu para se defender.

“Infelizmente, neste momento, houve uma troca de tiros. Houve toda essa situação, a gente tem que esclarecer como foram os fatos”, disse o advogado.

O G1 entrou em contato com o setor de imprensa da Polícia Federal em Brasília para comentar o caso, mas até a publicação desta notícia não houve retorno. Na quarta, a PF afirmou lamentar a morte dos dois delegados e afirmou que eles estavam em Florianópolis participando de uma capacitação.

A casa de prostituição funcionava sem alvará, segundo a Polícia Civil. “Ali é um local que se verificou ano passado que era uma casa de prostituição e era usado de forma clandestina, inclusive há inquérito”, afirma Verdi Furlanetto, diretor de Polícia Civil. O local pertence a um casal investigado por favorecimento à prostituição.

Delegados do RJ foram mortos em Florianópolis (Foto: Reprodução/RBS TV)

Delegados foram mortos no bairro Estreito (Foto: Julio Ettore/RBS TV)