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quarta-feira, 21 de outubro, 2026

Golpistas tinham de e-mail próprio a atendente em firma fictícia, diz polícia

15/12/2016 06h20

Inquérito aponta prejuízo de ao menos R$ 2,5 milhões em MS, MT e GO.

G1

Uma empresa em pleno funcionamento, com e-mail próprio, representante comercial, atendente no balcão, proprietário e até sinais de pagamento às vítimas. É desta maneira que a Polícia Civil descreveu ao G1, nesta terça-feira (14),a firma fictícia criada para dar golpes em várias áreas, principalmente na compra de maquinários agrícolas, caixas d’àgua e agrotóxicos. Além de 11 presos, a investigação apreendeu documentos, pertences e inclusive carros de luxo que estavam em poder da organização criminosa.

“Eles atuavam em várias campos e estavam sendo investigados desde julho, com a oitiva de uma vítima de Goiás. Nós também realizamos buscas e o cumprimento dos mandados de prisão no dia 6 de dezembro. Houve então as oito prisões em Rondonópolis e mais três em Campo Grande, onde funcionava a empresa de fachada no bairro Itamaracá”, afirmou a delegada Ana Cláudia Medina, titular da Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado (Deco).

Em depoimento, os envolvidos não quiseram dar detalhes do funcionamento da empresa. No entanto, conforme Medina, a polícia descobriu que parte do grupo residia no Mato Grosso, onde revendiam grande parte dos equipamentos.

“As pessoas compravam o maquinário com notas frias, sem saber que se tratavam de golpe. Eles também ofereciam colchonetes, travesseiros e outros pertences para as fazendas da região. Tudo era adquirido por meio de golpes, com documentos falsos”, ressaltou a delegada.

Após várias vítimas, de acordo com a polícia, eles “fechavam as portas da noite para o dia”. “Até mesmo por isso o nome da nossa operação, a Canindé. Eles fugiam rapidamente e tinham todos os papéis divididos dentro desta empresa fictícia. O contador participava das ações e um deles era de confiança do suspeito de 44 anos, além de uma outra pessoa que já podemos chamar de laranja no grupo”, explicou Medina.

Os envolvidos vão responder por organização criminosa, estelionato, falsificação de documento público, falsificação de documento particular, uso de documento falso, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. “A pena ultrapassa 70 anos de prisão. A maioria deles já praticava o golpe da arara e um deles possui antecedente por homicídio e roubo.

Entenda o caso

No estado do Mato Grosso, a ação foi realizada com apoio de policiais da Delegacia Especializada de Repressão à Roubos e Furtos (Derf). A partir da construtora de fachada, o grupo conseguiu adquirir equipamentos fazendo 12 vítimas e causando prejuízos de mais de R$ 2 milhões.

A Deco apurou que parte desses produtos estavam em Mato Grosso, onde as buscas foram feitas em Rondonópolis, em uma casa, uma transportadora, um supermercado e uma fazenda. Neste último local, foram apreendidos maquinários, veículos e um gerador de energia, todos adquiridos por prática criminosa, segundo a polícia.

Já em Mato Grosso do Sul, os mandados de busca foram em casas apontadas durante as investigações e um dos três presos foi flagrado furtando energia durante o cumprimento do mandado de prisão. O nome da operação faz referência a arara canindé, uma das espécies de araras mais comuns na região.

Grupo criminoso é reincidente em aplicar golpes, segundo a polícia (Foto: Graziela Rezende/G1 MS)

Documentação falsa apresentada por suspeitos emfirma fictícia (Foto: Graziela Rezende/G1 MS)

Produtos que eram vendidos para donos de fazenda,aponta investigação (Foto: Graziela Rezende/G1 MS)

Maquinários adquiridos em golpes foram apreendidos em MT (Foto: Deco/ Divulgação)