22/12/2015 08h20
No Estado há mais de 12 mil presos e 104 se inscreveram em curso sobre a divindade
Correio do Estado
A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) vai tentar diminuir o número de reincidentes em crimes no Estado promovendo curso de teologia para presos do regime semi-aberto e fechado. Foram disponibilizadas no primeiro ano da iniciativa 104 vagas. As aulas são disponibilizadas pela Faculdade de Treinamento Ministerial (FTM).
Para garantir esse projeto, que é integralmente gratuito, foi feito uma parceria com a Igreja Batista.
Segundo dados mais atuais levantados pela Secretaria-Geral da Presidência da República e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgados em junho deste ano, 70% de quem é preso no Estado volta a praticar um segundo crime após ser solto ou conseguir liberdade provisória. Essa porcentagem também é uma tendência nacional.
Além disso, a população carcerária em MS é de, pelo menos, 12,5 mil pessoas.
Como boa parte dos alunos tem restrição para sair do presídio (só quem está no semiaberto e tem autorização judicial), as aulas são dadas por um sistema transmitido por televisão e um monitor, formado em teologia, dá apoio.
“O aluno terá três anos para comprovar a conclusão do ensino médio, ir à uma faculdade que temos convênio aqui em Campo Grande e certificar o ensino superior. Há todas as garantias, (o diploma tem validade) até mesmo para prestar concurso”, contou o representante da Faculdade de Treinamento Ministerial em Campo Grande, Dinart José Souza.
O diretor-presidente da Agepen, Ailton Stropa Garcia, disse que o órgão espera obter resultados com curso na tentativa de ressocializar os presos. “Esse curso une religião e educação e proporciona transformação de dentro para fora. Acredito que essas pessoas que estão sendo capacitadas também serão ‘agentes de transformação’ dos demais”, opinou.
Responsável pelo curso nos presídios, Marcos Ricci, que é pastor, disse que a iniciativa é inédita no Brasil. “Iniciamos com uma turma no Instituto Penal em abril e no mês passado, na Máxima. Nossa intenção é possibilitarmos o acesso de mais internos dessas unidades e levarmos o curso também para o Centro Penal da Gameleira (em Campo Grande)”, disse.
OPINIÃO DO DETENTO
Rogério Oliveira Figueira, 38 anos, já passou pelo semiaberto e voltou ao regime fechado por diferentes crimes. Ele está no curso e disse que pretende trabalhar com dependentes químicos e ex-presidiários quando ganhar liberdade.
“Aceitei Jesus há cinco anos e hoje me dedico a levar a palavra de Deus aos meus companheiros aqui no presídio. Sou responsável por duas celas evangélicas, e acredito que o que estou aprendendo me fará crescer na graça e conhecimento de Deus”, garantiu, via assessoria de imprensa da Agepen.


