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sábado, 17 de outubro, 2026

Grades viram estante improvisada para livros em presídio de MS

28/09/2015 16h30

Estratégia de leitura é para despertar interesse nos presos, diz Agepen.

G1

Se os presos não vão até os livros, os livros vão até eles durante o banho de sol no Presídio de Trânsito de Campo Grande (PTran). No local, as grades que separam a quadra de esportes do corredor de acesso também servem de estante improvisada.

A estratégia de leitura é usada para despertar curiosidade dos internos, segundo a chefe da Divisão de Assistência Educacional da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), Elaine Arima Xavier Castro.

“É uma forma de estimular realmente a leitura, onde os presos começam vendo a capa e, posteriormente, se sentem curiosos em lê-los”, disse ao G1.

O preso Jackson Pereira Cavalcante foi um dos alcançados pela iniciativa. Ele diz que aproveita para ler enquanto cumpre pena por roubo. “Uns quatro livros eu já peguei […] mas agora meu livro de preferência é a Bíblia. Gosto muito de geografia, história do Brasil, essas coisas, gosto de ler sobre a nossa América aqui”, contou.

Quem faz o trabalho colocar o material nas grades também está preso do local, Amaral Basana de Oliveira, 37 anos.

Ele usa um carrinho para levar parte dos livros da biblioteca até o corredor e arruma um por um nos espaços entre as grades do pátio. Além dos livros em exposição, os presos também têm acesso à relação de livros da biblioteca.

Oliveira estudou até o 1º ano do ensino fundamental e também é responsável pelo aluguel dos materiais e controle de cada empréstimo. Ele diz que trabalha principalmente por ter o benefício da remissão da pena.

“Faço anotação da cela, nome do interno e nome do livro. O interno tem uma semana para me devolver o livro, aí se ele não devolve, eu entro até a galeria, até a cela onde o interno se encontra aí eu cobro e peço de volta, pergunto porquê não entregou no dia certo. Se foi pelo motivo de não ter terminado a leitura daquele livro eu amplio o prazo para o interno estar me devolvendo”, relatou.

Quando acaba o banho de sol, ele recolhe o material e leva de volta para a biblioteca. O Presídio de Trânsito atualmente tem cerca de 500 livros e média de 50 internos por mês que usam os materiais da biblioteca, segundo a Agepen. A biblioteca da unidade tem enciclopédias, livros didáticos, paradidáticos e de leitura diversa, mas os preferidos dos presos, segundo Elaine, são os de romances e autoajuda.

Ela conta que o estímulo à leitura também influencia alguns presos a estudar e ajudar outros internos. “Temos um preso formado em educação física que empresta os livros didáticos da biblioteca e ensina os não alfabetizados a ler, escrever e na iniciação da matemática”, ressaltou.

Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS