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domingo, 18 de outubro, 2026

Henrique Eduardo Alves deixa Ministério do Turismo

29/03/2016 06h30

Ex-presidente da Câmara é o primeiro entre os sete ministros peemedebistas a desembarcar do governo, e o faz na véspera da reunião em que o PMDB pode romper definitivamente com Dilma

O ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, anunciou na noite desta segunda-feira (28) que deixará a pasta. Ex-presidente da Câmara e ligado ao atual, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o peemedebista é o primeiro entre os sete do partido com vaga na Esplanada dos Ministério a decidir pela saída do governo, e o faz na véspera da reunião do PMDB que pode oficializar o rompimento definitivo com a gestão Dilma Rousseff.

Em sua carta de demissão (leia abaixo), Alves afirmou que está seguindo o caminho de seu partido. “Independentemente de nossas intenções, o momento nacional coloca agora o PMDB, o meu partido há 46 anos, diante do desafio maior de escolher o seu caminho”, escreveu o ministro, que estava no cargo desde 16 de abril de 2015.

O peemedebista cita ainda Michel Temer e descreve o vice-presidente como seu companheiro “de tantas lutas”. Diz também estar certo de que Dilma entenderá sua decisão, e ressalta que “preza acima de tudo pela coerência ideológica e a lealdade ao seu próprio partido”.

Mais cedo, Henrique Alves e outros cinco ministros se reuniram no Palácio do Planalto com Dilma e garantiram que se manteriam no governo. Eles se comprometeram também a não comparecer à reunião da cúpula peemedebista, convocada para amanhã (terça, 29), na Câmara, com objetivo de esvaziar e deslegitimar uma eventual decisão pelo desembarque da base.

Assim, mesmo na hipótese de rompimento – já considerado irreversível pelo Planalto –, o governo passaria a imagem de que o PMDB está rachado e apenas uma ala radical insiste na debandada. E com o contraponto de que figuras de peso da legenda, como Sarney e Renan, não avalizam o rompimento e estariam contra o processo de impeachment de Dilma.

Além disso, os ministros do PMDB garantiram a Dilma que procurarão parlamentares federais, além de dirigentes estaduais e municipais do PMDB, com o objetivo de dissuadi-los de ir ao encontro. Apenas a ministra Kátia Abreu (Agricultura), que cumpre agenda fora de Brasília, não foi a reunião desta segunda-feira (28) no Planalto.

Veja a íntegra da carta de demissão do ministro:

“Excelentíssima Senhora Presidenta Dilma,

Venho por meio desta carta entregar o honroso cardo de Ministro do Turismo do seu Governo e agradecer por toda a confiança e respeitosa relação mantida durante esses onze meses em que trabalhamos juntos.

Pensei muito antes de fazê-lo, considerando as motivações e desafios que me impulsionaram a assumir o Ministério (e que acredito ter honrado): fazer do Turismo uma importante agenda econômica, política e social do Governo e do País.

Mas, independentemente de nossas intenções, o momento nacional coloca agora o PMDB, o meu partido há 46 anos, diante do desafio maior de escolher o seu caminho, sob a presidência do meu companheiro de tantas lutas, Michel Temer.

Todos – o Governo que assumi e o PMDB que sou – sabem que sempre prezei o diálogo permanente. Diálogo este que – lamento admitir – se exauriu.

Assim, Presidenta Dilma, é a decisão que tomo. Não nego que difícil, mas consciente, coerente, respeitando o meu Rio Gramde do Norte, e sempre – como todos nós – na luta por um Brasil melhor.

Estou certo de que, sendo a Senhora alguém que preza acima de tudo a coerência ideológica e a lealdade ao seu próprio partido, entenderá a minha decisão.

Respeitosamente,

Henrique Eduardo Alves”

foto: Brasil.gov.br