Acusado é julgado nesta sexta-feira (31), dois anos após corpo ter sido encontrado.
31/08/2018 14h30 – G1MS
Em depoimento emocionado nesta sexta-feira (31), durante julgamento do acusado de matar a filha Luana, Celso Grecco resume o sentimento. ” Hoje só me resta chorar pela perda da minha filha”. O júri é realizado dois anos após uma amiga da vítima ter se deparado com o corpo no imóvel, já em estado de putrefação, no bairro Santa Luzia, em Campo Grande.
Luana tinha 22 anos quando foi encontrada morta a golpes de tábua de carne, na casa onde morava com o marido, Gelvio Nascimento Rosseto, réu pelo crime. Ele foi preso logo depois, conseguiu liberdade no ano seguinte, mas, voltou para cadeia por tráfico de drogas e posse de arma de fogo.
Pai
“A Justiça hoje é feita para os manos e não para os humanos. Hoje só me resta chorar. Não desejo o que estou passando para mingúem, nem para a mãe dele (acusado). Estou mal, não dormi a noite inteira”, disse o pai da vítima, Celso Grecco, durante o julgamento.
De acordo com o pai, dias antes da morte, Luana pegou a motocicleta para procurar o companheiro, o acusado. Sem encontrar, ela retornou para casa e pedia, insistentemente, para o pai ligar para o companheiro dela.
“Eu olhei a quilometragem como de costume. E falei pra minha filha que precisava dela às 21h, pois tinha que trabalhar. Meia hora antes, ela chegou e pediu pra ligar para ele (réu), mas eu disse que não, que poderia fazer o que quisesse que eu não ia ligar”, comentou.
Em seguida, Celso deu uma carona e deixou a filha nas proximidades da casa da mãe do acusado. “Ela ficou perto, porque nunca deixou eu saber onde era a casa da mãe do marido dela. Minha filha estava cega, tinha brigado e eu falava pra ela largar mão deste cara, mas, não adiantou”, relembrou.
Tempos depois, Luana sumiu. “Quando ela desceu da moto, foi a última vez que eu a vi. Até cheguei a pensar que minha filha tinha se suicidado, porém quando chegou a notícia da morte falaram que tinha sangue espalhado na casa inteira. O delegado do bairro então foi acionado e começou a investigação”, afirmou.
Ainda conforme Grecco, a filha “tinha o sonho de ter uma família”. “Não consegui dominar a Luana. Ela tinha um gênio forte igual a mãe dela. Eu fiquei 7 anos casado com a mãe dela e depois separamos por conta de discussões. Por isso, acredito que Luana sonhava tanto em ter a família dela”, lamentou o pai.
Crime
Gelvio responde por feminicídio e homicídio qualificado pelo meio cruel. A jovem foi morta dias antes do corpo ter sido encontrado, durante discussão com o marido, devido ao fato dele ser usuário de drogas. Após o crime, o rapaz fugiu sem prestar socorro.
Dias depois, familiares de Luana ficaram preocupados porque não conseguiam contato com ela e na noite de 31 de agosto uma amiga da jovem entrou na casa dela e se deparou com o corpo.


