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Ignorando-se o óbvio, a realidade cobra o prejuízo por José A. Vasnconcellos

02/05/2015 06h

Ignorando-se o óbvio, a realidade cobra o prejuízo – por José A. Vasnconcellos

Nas últimas eleições presidenciais (2014), 19,4% do eleitorado, representando 27,7 milhões de eleitores, não votaram, desvirtuando o mérito da vitória.

Divulgação (TP)

Jean Mastler (1897-1988), escritor francês, registrou um pensamento bastante interessante, porque espelha a realidade, verbis: “A maioria sempre tem razão, mas a razão raramente consegue a maioria nas eleições.” (rev.Caras).O desvirtuamento da razão, que é quando ela perde força para sobrepor-se e impor-se diante de um resultado eleitoral, decorre, com toda certeza, da ignorância nutrida pela desinformação, pelo desinteresse, pela desilusão e pelo desleixo, dos que deveriam ser os mais interessados, porque do resultado delas (as eleições) dependem para viver melhor.

Nas últimas eleições presidenciais (2014), 19,4% do eleitorado, representando 27,7 milhões de eleitores, não votaram, desvirtuando o mérito da vitória. Foi o maior número de abstenções das últimas quatro eleições, desde 2002. Alega uma parte dos eleitores faltosos, que não vota mais porque está desiludida com os políticos; outra, que deixou de votar porque todos os políticos são ladrões; e ainda uma terceira parcela, afirmando que a política não ajuda em nada, ganhe Paulo ou ganhe Pedro!

Esses eleitores, convictos de que o seu procedimento (não votar) é justo, amparam-se em argumentos próprios, para eximirem-se do dever constitucional, convencidos, conforme seus graus de entendimento, que os atos repulsivos que fluem da atividade política, apenas enganam as pessoas e não vale a pena votar. Mostra-nos o TSE, que o percentual das abstenções avança: 2002/17,74%; 2006/16,75%; 2010/18,12%; e 2014/19,4%.

Intocados pelo bom senso, pela lógica e pela razão, ignoram o óbvio, imaginam coisas, distorcem os fatos e misturam alhos com bugalhos. Para eles, refratários aos deveres da cidadania, a lei é: “nem vem que não tem!”!

Todavia é justo reconhecer, que para essa parcela de eleitores que se desviam das urnas, não falta total discernimento daquilo que é certo ou errado. Eles enxergam (o Maluf tomando posse); eles analisam (a quebradeira da Petrobrás pela ação dos políticos); eles acompanharam (o julgamento do mensalão); eles vêm analisado (o que a “presidenta” diz, e o que a “presidenta” faz). Não são cegos e tampouco surdos, um pouco desinformados, talvez? Renitentes em não votar? Sim!

Colocam como razão para não votar, as carências que os afligem: a saúde pública, o ensino e a segurança: benefícios que nunca receberam nas medidas das necessidades.Apenas engodo e cobrança de impostos.Lembram-se também da carência de infra-estrutura, para que o País funcione: ferrovias, rodovias, portos, aeroportos, transportes urbanos e outras pendências que

moram nas gavetas do Congresso já por décadas, sem sinal de que serão exumadas e votadas. Ganhe Pedro ou ganhe Paulo!

Entende-se assim, o por quê da decisão do eleitor, que vem revelando-se um fantasma nas seções de votação, revogando o princípio de que a maioria sempre tem razão e suas conseqüências: caso as abstenções nas últimas eleições tivessem sido menores, em 12,0% (doze por cento) dos 27,7 milhões dos que não votaram (3,3 milhões de votos) o dono da caçapa que recebesse esses votos estaria eleito e a razão restaurada em seu prestígio!

A ausência pura e simples nas eleições, não solucionará a safadeza institucionalizada em nosso País. Temos de ser patriotas, defendendo nossas instituições e nosso regime democrático.Rechaçar a militância quinta-coluna, votar e trabalhar para o desenvolvimento do País. Nota:“A expressão (quinta-coluna) originou-se na Guerra Civil Espanhola, para designar os anti-republicanos simpatizantes das quatro colunas franquistas, que marchavam sobre a cidade.” (Larousse).

A gratidão àqueles que nos legaram esta Pátria, cobra-nos diligência e responsabilidade institucional e administrativa. Lembremos de Olavo Bilac (1865-1918) que nos exortou: “Pisa com fé e orgulho a terra em que nasceste!” O patriotismo é uma virtude que se deve praticar todo o tempo, e nele, incluída a obrigação de votar nas eleições. O desterro, o jugo e a miséria corrói o coração de uma nação. A carência de um território, de um espaço, ao qual se dá o nome de Pátria, como ocorre presentemente, em alguns continentes, é martírio, é sofrimento, é insegurança, é o massacre das famílias obrigadas a fugir com os filhos de colo.

A Deus devemos agradecer o Brasil que temos e, com vigor, rechaçar qualquer aventura irresponsável dentro das nossas fronteiras, elegendo (sem fugir da responsabilidade do voto) bons e competentes presidentes, para administrar nossa República.

Lembremos, por fim, que o regime democrático é o único que tem se mostrado o melhor, e pode ser melhorado ainda mais.

01.01.2015(4677) Membro da Academia Douradense de Letras.

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Ignorando-se o óbvio, a realidade cobra o prejuízo por José A. Vasnconcellos