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sábado, 17 de outubro, 2026

Imprudência é a maior causa de acidentes, diz Agetran

São apenas 19 equipes para fiscalizar o trânsito de Campo Grande nos três períodos do dia

29/11/2019 10h30 – Por: CORREO DO ESTADO

Com oito equipes da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) atuando na fiscalização de trânsito pela manhã, outras sete à tarde e quatro à noite, em toda Campo Grande, muitos condutores têm aproveitado as lacunas na fiscalização para abusar da imprudência pela cidade.

Este ano, até a quarta-feira (27), 66 pessoas perderam a vida no trânsito da Capital. A maioria dos óbitos foi causada por algum tipo de imprudência dos condutores – envolvidos ou não nos acidentes.

No caso mais recente, Anderson Almeida Brito, 28 anos, e Cristiane Brites Diaz, 20 anos, morreram na Avenida Gury Marques após desviar de um motociclista que surgiu na pista vindo do canteiro central da via. O casal havia acabado de deixar o filho de cinco anos na escola, no Bairro Chácara das Mansões.

A situação, porém, é comum na avenida e foi observada pela reportagem do Correio do Estado ontem. Em menos de 30 minutos, foi possível flagrar três motociclistas que trafegavam na avenida, no sentido BR-163, mudarem para a pista de sentido contrário pelo canteiro central.

O diretor-presidente da Agetran, Janine Bruno, afirma que pequenas infrações são comuns em outros pontos da cidade. “É uma situação recorrente. Eles [condutores] colocam a vida deles em risco e de outras pessoas também, e ainda acham ruim quando são multados”.

Essas infrações, alega o diretor-presidente, ocorrem geralmente quando “não tem ninguém vendo”, por isso são mais difíceis de serem autuadas pela Agetran. “São alguns maus motoristas que usam os canteiros para cortarem caminho. Trabalhamos a cidade inteira para tentar coibir esse tipo de problema, mas ele é comportamental”, diz Bruno.

As equipes têm número reduzido para atuar na fiscalização do trânsito: a pasta também cuida do transporte coletivo e das interdições de ruas e avenidas da cidade. “Fazemos o que podemos. Temos conseguido fiscalizar, mas é importante que a população denuncie”, afirma o gerente de fiscalização da Agência, Luiz Carlos Guarini.

Segundo o responsável pelas equipes, quando os condutores percebem a presença da Agetran no local dificilmente esse tipo de infração é cometida. “Ficamos sem ter como constatar essas situações nas viaturas. Apenas quando estamos no nosso carro particular é que conseguimos ver esse tipo de coisa”.

Apesar das 66 mortes no trânsito, até agora, a quantidade é inferior ao ano passado – 87 óbitos. Segundo Janine Bruno, isso se deve em grande parte à volta dos radares fixos, que passaram boa parte do ano passado desativados por conta de falta de contrato com a empresa responsável pela manutenção dos equipamentos.

“Estávamos vindo de uma baixa muito grande, com redução de quase 50% em seis anos, passando de 132 mortes em 2011 para 70 em 2017, mas aí teve esse aumento no ano passado. Acreditamos que este ano deve seguir a linha da redução”, espera Bruno.

PONTOS CRÍTICOS

De acordo com a Agetran, apesar de bem sinalizada e com radares de velocidade nos semáforos, a Avenida Afonso Pena é sempre a campeã em acidentes na Capital. “Não tem mais o que se fazer ali para evitar os acidentes. Agora é o motorista que deve se conscientizar de que ele também tem de fazer a parte dele”, diz o diretor.

Além da Afonso Pena, as avenidas Guaicurus, Duque de Caxias, Cônsul Assaf Trad e Ernesto Geisel apresentam elevado número de acidentes.

A Agetran também monitora a Rua Professor Luiz Alexandre de Oliveira, no cruzamento com a Afonso Pena, onde, de acordo com Guarini, muitos motoristas têm estacionado no canteiro. “Ali tem prédios empresariais e as pessoas param no canteiro para fazer algo nesses locais, mas não pode. Isso pode causar um acidente. Já fizemos campanha de conscientização lá e, a partir de segunda-feira, vamos começar a guinchar para o pátio do Detran todo carro que estiver parado lá”.

PERIGO

Enquanto estava na Avenida Gury Marques, a equipe de reportagem do Correio do Estado conseguiu flagrar um motociclista que derrapou na pista e foi arrastado alguns metros pela moto. Apesar do susto, o condutor não teve ferimentos graves, já que não estava em velocidade elevada.

Na Avenida Gury Marques, onde casal morreu há dois dias, muitos motociclistas atravessam de uma pista para outra por cima do canteiro, que deveria ser usado por ciclistas e pedestres - Foto: Foto: Bruno Henrique / Correio do Estado