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quinta-feira, 17 de setembro, 2026

Investimento em segurança pública: polícia consome 5.423 vezes mais que políticas para ex-detentos

Um estudo recente revela um abismo entre os recursos destinados às polícias estaduais e os investimentos em políticas de reintegração para egressos do sistema prisional no Brasil. Para cada R$ 5.423 gastos com forças policiais em 2025, apenas R$ 1 foi direcionado a programas exclusivos para ex-detentos, enquanto R$ 1.169 foram alocados ao sistema prisional.

A pesquisa “O Funil de Investimentos da Segurança Pública nos Estados Brasileiros”, conduzida pelo centro Justa, analisou a distribuição orçamentária em 26 unidades federativas, com o Acre não fornecendo dados. Os resultados, que serão apresentados no 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, indicam uma intensificação da desigualdade na alocação de verbas em comparação com o ano anterior, quando a proporção era de R$ 4.877 para R$ 1.221 e R$ 1, respectivamente.

Segundo Taciana Santos, coordenadora de pesquisas do Justa, essa priorização excessiva das polícias, muitas vezes impulsionada pelo “populismo penal” e pela “bancada da bala”, não se traduz necessariamente em maior segurança pública. Ela aponta que o crescimento dos gastos com policiamento ostensivo, que somaram R$ 103,5 bilhões em 2025 (um aumento em relação aos R$ 87,5 bilhões de 2024), se concentra nas Polícias Militares (58,6% da verba), em detrimento de investigações e inteligência.

O sistema prisional, por sua vez, consumiu R$ 22,3 bilhões em 2025. A pesquisa destaca que R$ 13,7 bilhões desse montante estão relacionados ao encarceramento de pessoas negras, refletindo uma desigualdade racial estrutural. Luciana Zaffalon, diretora-executiva do Justa, critica a “lógica de encarceramento em massa” e a fragilidade na apuração criminal, além de ressaltar que, apesar de os gastos com o sistema prisional se manterem estáveis, os recursos para condições básicas como alimentação e saúde foram reduzidos.

Na “porta de saída” do sistema, os investimentos em políticas para egressos permanecem irrisórios. Foram R$ 19 milhões em 2025, contra R$ 18 milhões em 2024. Apenas sete estados registraram investimentos na área, com destaque para São Paulo (R$ 13,3 milhões) e Ceará (R$ 3,8 milhões). Zaffalon enfatiza que o baixo investimento na reinserção social, que deveria abranger acesso a documentação, moradia, saúde, educação e trabalho, limita as chances de reconstrução de vida e pode favorecer a reincidência criminal.