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sexta-feira, 4 de setembro, 2026

Itapema: a cidade que se tornou o destino mais procurado

Itapema deixou de ser vista apenas como uma parada estratégica entre polos tradicionais do litoral norte de Santa Catarina. Em 2026, a cidade passou a ocupar com mais força o centro das atenções ao reunir três vetores que raramente avançam no mesmo ritmo: apelo turístico, valorização imobiliária e reorganização urbana voltada à permanência, não só à temporada.

O movimento recente ajuda a explicar por que o município aparece com frequência tanto no noticiário de turismo quanto nas análises do mercado residencial. Mais do que uma alta de interesse circunstancial, o que se observa é a consolidação de Itapema como destino de lazer, moradia qualificada e alocação patrimonial em uma mesma geografia, fator que altera o perfil da demanda e amplia a pressão por planejamento.

O salto de visibilidade em 2026

A virada de percepção ganhou força neste ano com fatos concretos. Em janeiro, a cidade entrou no radar nacional após a temporada de verão e o Réveillon 2025/2026, que reuniu cerca de 500 mil pessoas ao longo da orla, segundo registros divulgados por veículos regionais e repercutidos localmente. Em junho, outro marco reforçou a exposição: Itapema ultrapassou Balneário Camboriú e assumiu a liderança do metro quadrado residencial mais caro do país no monitoramento do Índice FipeZAP.

Esse tipo de manchete produz efeito simbólico e prático. Simbólico porque reposiciona a cidade no imaginário de quem acompanha o litoral catarinense. Prático porque influencia o comportamento de compradores, investidores, proprietários e operadores do turismo, que passam a olhar para o município como um espaço de valorização mais madura e menos periférica.

Turismo forte e perfil de visitante favorável

Os dados regionais ajudam a entender por que a cidade sustenta esse protagonismo. Pesquisa de Demanda Turística da Costa Verde & Mar, divulgada em 2026 pelo Citmar, mostrou que 77,7% dos visitantes da região são brasileiros e 22,3% estrangeiros. O levantamento também apontou presença relevante de perfis familiares e de permanência média superior ao turismo de passagem, um dado importante para destinos que dependem de consumo local, hospedagem e uso recorrente da estrutura urbana.

Para Itapema, isso importa porque a cidade se beneficia de uma equação rara: praia urbana com forte apelo visual, acesso rodoviário estratégico pela BR 101 e integração com uma região turística já reconhecida. Nesse contexto, o interesse por segunda residência e por ativos de uso híbrido, entre lazer, locação e reserva patrimonial, ganha consistência maior do que em destinos excessivamente sazonais.

Valorização imobiliária e mudança de patamar

Quando Itapema aparece na liderança nacional do preço médio residencial, a leitura não deve ser reduzida a um ranking. Em maio de 2026, o FipeZAP registrou valor médio de R$ 15.226 por metro quadrado na cidade, número que a colocou à frente de Balneário Camboriú. O dado, por si só, não significa que todo imóvel seguirá a mesma curva, mas indica que o município mudou de faixa competitiva no mercado brasileiro.

Na prática, essa mudança de patamar afeta toda a cadeia de decisão. Quem busca moradia passa a observar bairros, infraestrutura e estágio de desenvolvimento com mais critério. Quem avalia investimento passa a considerar oferta limitada em áreas consolidadas, qualidade construtiva, liquidez e potencial de renda. Nesse cenário, a busca por um apartamento na planta em Itapema se conecta a uma lógica patrimonial mais ampla, ligada à entrada em regiões que ainda combinam expansão urbana e reconhecimento crescente.

A cidade além do verão praiano

Um dos sinais mais relevantes do amadurecimento local é a transição de destino sazonal para cidade com uso mais contínuo. Esse processo não acontece apenas quando há novos empreendimentos, mas quando o território passa a oferecer rotina, serviços, mobilidade e paisagem urbana capazes de sustentar permanência ao longo do ano.

A literatura acadêmica sobre Itapema já apontava, antes mesmo do atual ciclo de valorização, que o município vinha sendo moldado pela relação entre turismo, segunda residência e urbanização costeira. Estudos sobre Meia Praia, sobre a revitalização da orla e sobre a expansão urbano turística mostram que a cidade se desenvolveu sob forte influência do lazer e da ocupação imobiliária. A diferença em 2026 é que esse processo alcançou um estágio mais visível, com repercussão nacional e exigência maior por ordenamento.

Infraestrutura, imagem urbana e efeito de rede

Parte do sucesso de Itapema também decorre do chamado efeito de rede regional. O município não cresce isoladamente. Ele está inserido em um corredor litorâneo onde circulação turística, serviços, gastronomia, construção civil e investimento se retroalimentam. A proximidade com outros destinos fortes amplia a atratividade, mas Itapema passou a converter essa vantagem em identidade própria.

A imagem urbana conta muito nesse processo. Orla requalificada, frentes marítimas valorizadas, oferta de imóveis de padrão elevado e presença crescente em roteiros turísticos e imobiliários ajudam a transformar percepção em demanda concreta. Para o comprador de alto padrão, esse ambiente tende a ser lido como combinação de estilo de vida e racionalidade patrimonial. Para a cidade, o desafio passa a ser manter qualidade urbana sem perder funcionalidade.

O que explica a procura crescente

A procura por Itapema não nasce de um único fator. Ela resulta da convergência entre localização, escassez relativa de áreas nobres, atratividade cênica e capacidade de capturar perfis distintos de demanda. Há quem enxergue a cidade como base de férias. Há quem priorize moradia principal. Há ainda quem leia o município como ativo de longo prazo em um litoral que segue concentrando atenção nacional.

Esse mosaico de interesses fortalece a resiliência do mercado local. Diferentemente de ciclos movidos apenas por euforia, a demanda diversificada tende a distribuir melhor os impulsos de compra. Ainda assim, a valorização não elimina riscos. Preço alto exige análise técnica, leitura de localização, atenção à reputação construtiva, compreensão do zoneamento e avaliação cuidadosa do horizonte de retorno.

Por que Itapema importa no mapa catarinense

Itapema importa porque passou a sintetizar uma transformação maior do litoral norte catarinense. O município reúne aquilo que o mercado procura em fases de consolidação: visibilidade pública, fluxo turístico consistente, inserção regional forte e percepção de escassez em áreas de maior desejo.

Para quem acompanha a dinâmica urbana e imobiliária do Sul do país, a cidade deixou de ser promessa para se tornar evidência. O desafio daqui em diante não será apenas crescer, mas sustentar valor com planejamento, infraestrutura e decisões patrimoniais mais criteriosas.

Itapema não se tornou relevante apenas por ser procurada. Tornou-se relevante porque passou a influenciar a forma como o litoral catarinense é lido, vivido e investido.

Referências

FUNDAÇÃO INSTITUTO DE PESQUISAS ECONÔMICAS. Índice FipeZAP. 2026. Disponível em: https://www.fipe.org.br/pt-br/indices/fipezap/.

G1 SANTA CATARINA. Itapema supera Balneário Camboriú e passa a ter os imóveis mais caros. 2026. Disponível em: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2026/06/02/itapema-supera-balneario-camboriu-valor-venda-de-imoveis.ghtml.

CONSÓRCIO INTERMUNICIPAL DE TURISMO COSTA VERDE & MAR. Pesquisa revela quem é o turista que escolhe a Costa Verde & Mar. 2026. Disponível em: https://citmar.sc.gov.br/pesquisa-revela-quem-e-o-turista-que-escolhe-a-costa-verde-mar/.

RUSCHMANN, Dóris Van de Meene; CONCEIÇÃO, Carmem C.; VIEIRA, José M. As segundas residências e o processo recente de urbanização dos municípios de Itapema e Bombinhas, SC, decorrente do uso do turismo e do lazer. 2015. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/2610/261056065008.pdf.

SILVA, M. E. M.; SORIANO SIERRA, E. J. Análise da percepção do visitante sobre a revitalização da orla marítima: o modelo do Parque Linear Calçadão, Itapema, Santa Catarina, Brasil. 2015. Disponível em: https://rbtur.org.br/rbtur/article/view/741.