05/06/2015 08h
No IPCG, jovens aprendem profissão e conseguem remissão da pena.
G 1 MS
Mato Grosso do Sul é apontado como o 4° estado com mais jovens presos, conforme o Mapa do Encarceramento 2015 da Secretaria Nacional de Juventude. No Instituto Penal de Campo Grande (IPCG), de segurança Média, a maioria dos detentos com idade entre 18 e 29 anos se dedicam ao trabalho, já que aprendem uma profissão e ainda conseguem a remissão da pena.
“Acredito que fiquei muito tempo perdido na minha vida. Mas agora estou aqui me fortalecendo. Participo de reuniões semanais desde que decidi largar o vício das drogas e estou me sentindo muito bem com esta decisão”, afirmou ao G1 o detento Reginaldo Pereira.
Assim como ele, outros 50 internos participam deste projeto. Eles cantam e conversam ao menos duas vezes por semana com a psicóloga Tânia Regina Beron.
“É um grupo de apoio aos usuários de drogas formado por voluntários. Nós damos o apoio psicológico e ajudamos eles a largarem do vício”, comentou Beron.
Durante o dia, muitos trabalham na fabricação de gelos, ferros, vasos, entre outros. José Fernandes, que está preso há um ano e deve cumprir seis anos e oito meses de cadeia, fala que está com foco no trabalho. “É muito boa esta maneira que temos da remissão de pena. E é ainda melhor porque adquirimos experiência e ainda eu recebo dinheiro para manter as minhas necessidades”, ressaltou o detento.
Ilusão
Na sala de aula, enquanto termina a atividade da aula de artes, Rafael Marques do Nascimento, de 23 anos, comenta sobre seus planos.
“Posso dizer que, mesmo preso, estou na melhor fase da minha vida. Antes não tinha os valores da sociedade e pensava apenas em álcool, drogas e prostituição. Aqui, depois de muitos anos, estou me sentindo bem no 1° ano do Ensino Médio. Vivia uma ilusão, mas acordei aqui”, garantiu.
Sobre as escolhas erradas, Rafael diz que era muito imaturo. “Ressuscitei algo que estava morto em mim, que era a vontade de estudar. Antes fiz escolhas erradas e muitas vezes por causa do grupo em que eu participava. Quase acabei com a minha vida, mas acordei a tempo de querer realizar meus sonhos, como me formar em música, psicologia e ainda ajudar os meus pais”, finalizou.
Atualmente o IPCG possui 1.298 detentos, sendo que a capacidade, de acordo com o diretor Fúlvio Ramires, é de 280. “A lotação está em 450% a mais do que a capacidade”, comentou o diretor. O resultado, conforme o estudo, é que o Estado é o 11º com maior população carcerária.




