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Julgamento de índios que mataram policiais de Dourados será em SP

06/02/2015 14h20

A medida foi baseado em laudo de antropólogo da Justiça e tem como alegação que a população sul-mato-grossense, segundo os autos, presume-se impregnada de preconceitos por conta das disputas travadas entre fazendeiros e indígenas, o que poderia prejudicar o julgamento dos acusados

Douradosagora

Os advogados Maurício Rasslam e Diego Neno Rosa Marcondes, reuniram a imprensa esta manhã, em Dourados, para comunicar que foi transferido para São Paulo o julgamento dos indígenas acusados de matar dois policiais civis de Dourados e tentar matar um terceiro. O homicídio duplamente qualificado e tentativa de homicídio qualificado aconteceram no dia 1 de abril de 2006 em Porto Cambira, próximo ao Distrito Industrial de Dourados.

Rasslem, Marcondes e o sobrevivente – policial aposentado após a tragédia, Emerson Gadani – falaram ao jornal Douradosagora e demais órgãos de imprensa, em entrevista coletiva no escritório de advocacia no centro de Dourados.

Segundo Maurício Rasslam, a medida gera decepção aos familiares das vítimas – Rodrigo Lorenzato, Ronilson Bartie. e Emerson Gadani (sobrevivente) e à população de Dourados que, segundo ele, é quem deveria julgar – no caso em Tribunal do Juri.

A medida adotada pelo Ministério Público Federal, conforme afirma o advogado Maurício Rasslam, foi baseado em laudo de antropólogo da Justiça e tem como alegação que a população sul-mato-grossense, segundo os autos, presume-se impregnada de preconceitos por conta das disputas travadas entre fazendeiros e indígenas, o que poderia prejudicar o julgamento dos acusados.

Rasslam e Marcondes disseram, durante a entrevista coletiva, que o objetivo é cobrar Justiça. Os advogados de acusação, que contam com procurações das familiares das vítimas, consideram que os julgamentos deveriam ocorrer em Mato Grosso do Sul, não em SP. “A população pede justiça e o juiz natural, neste caso, é Dourados”, diz Rasslem.

Conforme o advogado, o processo já havia sido tirado da primeira Vara Estadual e levado para a Justiça Federal, que agora é competente para julgar. No entanto, conforme alega Rasslam, não se trata de crime relativo a disputa de terra, mas sim de homicídios qualificados e tentativa de homicídio qualificado.

“A gente fica fora do julgamento mas vai ficar com o problema, com a tutela destes índios, inclusive em relação à criminalidade nas reservas de Dourados. A Justiça deve ser igualitária”, enfatiza Maurício Rasslam.

O policial Emerson Gadani, que acompanhou toda entrevista, disse que há quase nove anos vem tentando se recuperar do trauma decorrente da tragédia que abateu a vida de dois colegas em serviço e quase tirou a vida dele próprio. “Com todas as provas, todo relato concretizado é inadmissível que não haja sequer respeito para com os que já se foram e quem ficou”, desabafa, emocionado, Gadani.

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