24/08/2017 08h
Decisão é provisória. Caso envolvendo a morte de um pedreiro, que supostamente tentava defender o filho, suspeito de tráfico de drogas, é alvo de investigação.
G1
Os quatro policiais militares presos suspeitos de alterarem a cena de um crime em Santos, no litoral de São Paulo, foram liberados pela Justiça nesta quarta-feira (23), por decisão liminar (provisória). Todos estavam detidos no Presídio Militar Romão Gomes, na Capital.
Os policiais estão envolvidos no caso em que um pedreiro, de 44 anos, foi morto a tiros ao tentar defender o filho, suspeito de tráfico de drogas, em junho deste ano. O pai morreu ao ser baleado por um dos soldados, que alegou ter sido atacado como uma faca.
Segundo investigação da Polícia Civil, que solicitou a prisão temporária, a suspeita é de que a faca e as drogas tenham sido colocadas propositalmente pelos policiais na cena do crime. A dupla que apresentou os fatos na delegacia também não foi a mesma que atendeu a ocorrência.
De acordo com o advogado de defesa, Alex Ochsendorf, o desembargador Fábio Gouvêa não viu requisitos que justificassem a prisão temporária. “Não havia justa causa para mantê-los presos, por isso eles foram liberados nesta quarta-feira. Há, ainda, ameaça contra eles”.
A Polícia Civil justificou a prisão, em 17 de agosto, como indispensável para as investigações. O objetivo era manter os policiais afastados das atividades e, assim, de eventuais testemunhas que poderiam colaborar para elucidar o caso e as circunstâncias do crime.
O caso
Policiais militares suspeitaram de Weslley dos Santos, de 20 anos, que estava em frente à própria residência, no Morro da Nova Cintra. O rapaz fugiu para dentro do imóvel e, ao tentar capturá-lo, um soldado atingiu o pai, o pedreiro Railton Alves dos Santos.
Na versão da PM, o soldado que atendeu a ocorrência disse ter subido as escadarias para a residência do suspeito com o objetivo de verificar se Weslley tinha jogado algo no local. Nesse momento, outro policial gritou pedindo ajuda, mostrando o rapaz escalando uma parede.
Ainda segundo a PM, um dos policiais foi atrás do suspeito, “passou a bater à porta e, de repente, a porta abriu-se abruptamente, vindo a atingir a cabeça do policial. Weslley saiu do quarto com um pedaço de vidro na mão, momento em que o pai, Railton, avançou com uma faca”.
No registro da polícia, o pedreiro é apontado como o responsável por realizar cortes no braço direito do PM que, “ao se defender da injusta agressão, efetuou um disparo”, que atingiu o abdome de Railton”. O pedreiro morreu no local, antes da chegada de uma equipe de resgate.
Ainda em nota, a PM informou que a equipe que atendeu a ocorrência já conhecia o suspeito por meio de “denúncias e outras prisões já efetuadas”. Na casa, foram apreendidas duas porções de maconha e 33 pedras de crack.
Na semana após o crime, a Promotoria já havia solicitado uma investigação sobre o ocorrido. Diante das suspeitas, o Comando da Polícia Militar também informou, na época, que havia aberto um Inquérito Policial Militar para apurar os fatos.


