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sábado, 17 de outubro, 2026

Leia coluna de Waldir Guerra – A angústia vai continuar

27/10/2014 11h10

Mas, cá pra nós, a presidente vai ter que mudar seu estilo de administrar para fazer as mudanças que prometeu na campanha.

Divulgação (TP)

Essa expectativa da eleição deste domingo deve ter criado em você a mesma angústia que me atormenta agora: como será o Brasil depois deste governo?

  • Este comentário foi escrito no domingo, antes do fechamento das urnas e por isso, ainda sem saber quem será o futuro presidente. E mesmo que houvesse alguma pesquisa de boca-de-urna, não confiaria nela. Pesquisas eleitorais não são mais confiáveis. Pudera! Hoje você sabe e eu sei (só os políticos sem caráter dizem não saber) que centenas de milhões são gastos para ganhar uma eleição e possivelmente muitos desses milhões são usados para “pagar” essas pesquisas.

A preocupação que me aflige hoje, domingo, antes do resultado final, não é tanto para saber se a próxima administração federal será conduzida por uma presidente, ou por um presidente.

Importa saber que a atual administração terá que mudar e não por conta das promessas de “mudanças” proclamadas por ambos os candidatos o tempo todo, mas pelo que essa campanha política criou: uma oposição encarniçada.

Se a presidente Dilma for reeleita seu governo terá no seu encalço uma oposição ferrenha; coisa criada nesta campanha, claro. Neste seu mandato Dilma teve mais preocupação e incômodos com seu próprio partido do que a insossa oposição de um PSDB sempre acuado. (Perdoe-me senador Álvaro Dias, você foi o único que emergia de quando em vez na TV para apontar os erros do governo. Aécio só foi aguerrido nesses últimos dias).

Além de uma oposição maior e mais organizada, Dilma ainda terá que se desenrolar dos desvios na Petrobras. Coisa difícil para explicar aqui, mas basta simplificar alertando que se um carrinho Elba levou o presidente Collor ao impeachment, essa investigação “Lava Jato”, ainda em curso, com certeza, ainda vai lhe fazer grandes estragos durante seu novo mandato. Estou prevendo um novo impeachment? Não.

Mas, cá pra nós, a presidente vai ter que mudar seu estilo de administrar para fazer as mudanças que prometeu na campanha. A prepotência que ela adota com seus subordinados é a mesma que o ex-presidente Collor usava quando presidente; e se deu mal. Não deu certo pra elle, nem vai dar certo pra ela. Mas vou torcer para que ela mude este seu temperamento.

Dilma teve dificuldades para se relacionar com o Congresso atual. Agora terá pela frente uma turma nova e, além disso, a bancada do seu partido diminuiu. A presidente vai precisar mais do que nunca de um bom apoio no Congresso para administrar em paz. E não boto fé num sucesso dela dialogando com deputados. Digo isso, pois deputados não conseguem aplaudir presidente – porque a maioria mantém as mãos ocupadas com um pires na mão e os demais seguram uma adaga.

Não vai ser fácil para a presidente Dilma num novo mandato, até porque, na história deste país nenhum governante fez um segundo mandato melhor que o primeiro.

Sim, você deve estar me perguntando: mas se o Aécio ganhar hoje?

Se o Aécio Neves for eleito hoje terá pela frente as mesmas complicações quanto àquelas imaginadas para Dilma. Além disso, ainda terá que desmontar o aparelhamento montado pelo PT na máquina pública; mudar os rumos da política internacional procurando acordos com europeus e quem mais nos queira; redirecionar o MERCOSUL (ou largando-o de vez Rio Paraná abaixo).

Enfim, a angústia que me ataca hoje, tudo indica, me acompanhará um bom tempo ainda e não se iluda, a você também.

* Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário de Estado e deputado federal. E-mail: wguerra@terra.com.br