O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “um ato vergonhoso” a saída de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, ocorrida nesta terça-feira (27). Segundo o presidente, o adversário político, que recentemente disputou a eleição presidencial, teria “débitos com a Justiça”.
“O cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa”, declarou Lula, em evento com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, onde celebrava seu aniversário. Ele acrescentou que a atitude de não entregar o passaporte à Polícia Federal, especialmente diante de investigações em andamento, era esperada pela corporação.
Em contraste com a atitude de Bolsonaro, Lula relembrou sua própria prisão em abril de 2018, quando, segundo ele, decidiu se entregar à Polícia Federal e entregar seu passaporte para provar sua inocência e desmascarar seus acusadores. Lula ficou preso por 580 dias antes de ser libertado em novembro de 2019, após a anulação de processos pelo STF em 2021, que reconheceu a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro.
“E estou aqui sendo reeleito para mais um mandato por conta de vocês. Por isso eu digo a vocês, quem não deve, não teme”, enfatizou o presidente, em uma clara alusão às investigações que cercam Flávio Bolsonaro.
A possível chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos foi noticiada por agências internacionais e confirmada por fontes, como o investidor mexicano Simón Levy. O senador não entregou os passaportes à Polícia Federal, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Flávio Bolsonaro é investigado em inquéritos sobre suspeita de lavagem de dinheiro e financiamento de filme.

