19 C
Ponta Porã
domingo, 17 de maio, 2026

Lula diz que divergências não atrapalham relação com Trump e que quer respeito ao Brasil

Em entrevista ao The Washington Post, presidente brasileiro comentou sobre encontro com o norte-americano neste mês.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deu a primeira entrevista a um veículo de notícias após a reunião que teve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, há pouco mais de uma semana. Ao jornal norte-americano The Washington Post, o brasileiro comentou, entre outros assuntos, sobre as visões diferentes dos dois líderes em relação a temas da política internacional.

“O Trump sabe que sou contra a guerra contra o Irã, que discordo da intervenção dele na Venezuela e que condeno o genocídio que ocorre na Palestina. Mas essas divergências políticas não interferem em minha relação com ele como chefe de Estado. Quero é que ele trate o Brasil com respeito, entendendo que sou o presidente democraticamente eleito aqui”, afirmou Lula.

A entrevista, que ocorreu no Brasil, foi publicada neste domingo (17). Ela detalha o contexto político atual no país — bem como antes, durante e após a eleição de Lula para o terceiro mandato — e define o petista como um “leão da esquerda na América Latina”, o qual tem tentado mostrar que é capaz de trabalhar com a direita global sem se render a ela.

A matéria, assinada pela jornalista Marina Dias, também trata da reunião de Lula e Trump, segundo narrado pelo petista. Em uma das conversas que ocorreram entre os dois presidentes, por exemplo, o brasileiro chegou a perguntar se o norte-americano “não sabia sorrir” e recebeu a resposta de que os “eleitores preferem líderes que pareçam sérios”.

“Só durante as eleições. Agora, que está governando, você pode sorrir um pouco. A vida fica mais leve quando sorrimos”, sugeriu Lula a Trump. Posteriormente, na foto oficial divulgada pelo governo brasileiro do encontro, o norte-americano apareceu sorridente ao lado do petista, além de dizer a jornalistas que os dois tiveram uma “ótima reunião”: “Ele [Lula] é um bom homem e um cara esperto”.

Ainda na entrevista ao The Washington Post, Lula emendou: “Se eu conseguisse fazer Trump rir, eu poderia alcançar outras coisas também; não dá para simplesmente desistir”. O texto também afirma que Lula, um ex-sindicalista que ascendeu da extrema pobreza e se elegeu presidente três vezes, construiu a própria identidade política em torno de “negociação” e “diplomacia pessoal”.

Porém, no caso do encontro com Trump, a abordagem envolveu uma lição aprendida com a mãe analfabeta, Dona Lindu. “Aqueles que curvam as próprias cabeças podem nunca mais ter a capacidade de erguê-las novamente”, disse Lula. “O Brasil tem muito orgulho do que é. Não temos de nos curvar a ninguém.”

Fonte: R7