04/03/2016 13h50
Ex-presidente fez pronunciamento na sede do PT depois de depor à PF.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em pronunciamento a jornalistas na sede do PT, em São Paulo, que se sentiu “prisioneiro” ao ser abordado em casa nesta sexta-feira (4) por policiais federais que cumpriam mandado judicial com a finalidade de conduzi-lo coercitivamente para prestar depoimento a investigadores da Operação Lava Jato.
Na manhã desta sexta, a Polícia Federal deflagrou nova etapa da Operação Lava Jato, cujo foco era o ex-presidente. Além de levar Lula para depor, em um posto da PF no aeroporto de Congonhas, os policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão na casa do ex-presidente, em São Bernardo do Campo (SP), na sede do Instituto Lula, na capital paulista, e no sítio que era usado por ele em Atibaia (SP).
“Minha indignação é pelo fato de às 6h da manha terem chegado a minha casa delegados, muito gentis, pedindo desculpas, dizendo que estavam cumprindo decisão judicial do juiz Sérgio Moro. […] Eu me senti um prisioneiro hoje de manhã”, contou o ex-presidente.
Em um comunicado divulgado à imprensa, o MPF informou que Lula está sendo investigado porque há indícios de que ele recebeu dinheiro desviado da Petrobras por meio da execução de reformas no apartamento triplex do Guarujá (SP) e do sítio de Atibaia. Os procuradores ressaltaram ainda que há evidências de que o petista recebeu móveis de luxo nos dois imóveis e teve a armazenagem de bens em uma transportadora bancada pela construtora OAS, uma das empreiteiras investigadas na Lava Jato.
“Sinceramente já passei por muitas coisas na vida, mas eu acho que o nosso país não pode continuar assim”.
Sem citar nomes, o ex-presidente disse que, desde outubro de 2014, “eles” não permitem que a presidente Dilma Rousseff governe o país.
“Se tem alguém neste pais que precisa de autonomia, este alguém se chama presidenta da República. Porque ninguém quer que ela governe este pais. Estão cerceando essa mulher de governar este pais”, criticou o petista.
Ele afirmou que é “lamentável” que, segundo ele, parcela do Poder Judiciário “esteja trabalhando em associação com a imprensa”.
Ele também criticou o juiz federal Sérgio Moro pelos “transtornos causados” a seus filhos – que também foram alvo da operação – e à sua esposa.
“Não há nenhuma explicação do porquê foram atrás dos meus filhos. Nenhuma explicação, a não ser o fato de eles serem meus filhos”, disse Lula.


