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Em Macapá, os moradores estão enfrentando filas longas e demoradas em centros comerciais.

“Aqui no Amapá é comum ter esses pequenos apagões , mas trinta minutos ou uma hora depois a energia retorna normalmente. Só que dessa vez foi perdurando, perdurando, perdurando…” O relato é de Elmes Rodrigues, 37, morador de Macapá , capital e um dos  13 municípios do estado que estão sem energia desde o último dia 3 .

Elmes conta que a noite de terça-feira foi bastante chuvosa, com muitos raios e trovões. “Acabou tudo na hora, a gente ficou sem comunicação”, diz. “Tem um rapaz que mora na rua de casa e trabalha na companhia elétrica daqui, aí ele começou a dar as informações de que foi um problema na subestação, mas não sabia a gravidade”. Com isso, os moradores só perceberam a gravidade do problema pela manhã do dia 4. “Fui verificar e era uma pane geral, não só de um bairro ou de uma parte da cidade, era no estado todo”, explica.

A atual previsão do governo é de que 60% da energia do estado retorne ainda nesta sexta-feira (6) e que a situação inteira se normalize dentro de 15 dias. Para Elmes, é uma perspectiva “otimista”. Ele diz que a expectativa dos 60% é, na verdade, até domingo e que “normalizar tudo só com 15 dias é se conseguirem desmontar um gerador quase todo em outra cidade que fica a 400 km daqui e trazer para cá. Se não, vai ter que trazer esse mesmo equipamento de Manaus, aí vai demorar entre 15 e 30 dias”.

Agora, poucos são os bancos onde é possível sacar dinheiro. Elmes observa que filas muito grandes, de pelo menos 100 pessoas, estão se formando, porque muitos comércios não estão permitindo o pagamento por cartão devido à falta de energia. As filas também são grandes nos poucos postos de gasolina que possuem gerador e a espera chega a ser de duas a três horas.

Além disso, mercados e padarias estão limitando a quantidade de produtos que podem ser adquiridos por pessoa. Outras mercadorias como gelo para conservar alimentos e água estão cada vez mais escassas. 

Sair do Amapá tampouco é uma opção viável. De acordo com Elmes, companhias aéreas estão cobrando R$ 2.500 só pela ida a Belém, uma viagem que dura pouco menos de 40 minutos e geralmente custa R$ 350.

“A situação da cidade é muito caótica, é inacreditável o que está acontecendo”, relata Heluana Quintas. Quintas tem 38 anos e é servidora pública do quadro penitenciário do Amapá. Moradora do centro da capital, ela conta que a situação está bastante complicada. “A gente já estava vivendo um momento de novas restrições em virtude do agravo do quadro de pandemia localmente. Agora, sem energia, sem gasolina, sem poder sacar dinheiro e sem água na torneira, a gente está vivendo uma rotina completamente alterada”, diz.

Heluana diz que os amapaenses estão “buscando uma sobrevivência muito precária”. Ela observa também que, no entorno de hospitais, algumas poucas casas possuem energia. “As pessoas têm disponibilizado essa energia e internet para que outras carreguem seus celulares ou possam utilizar um pouco da água que existe em algumas casas, mas são muito poucas, muito poucas mesmo, diz”.

“A invisibilização com os estados da Amazônia é muito grande e sempre foi. Agora que estamos com problemas de comunicação ela fica ainda maior”, aponta Heluana. Ela também chama atenção para o fato de que a região não possui uma comunicação rodoviária com o restante do país, o que dificulta o transporte de equipamentos e produtos para o abastecimento das necessidades locais.

Heluana afirma que a prioridade fundamental no momento é a compra de água. Por isso, ela participa da organização de uma vaquinha online . “A gente vai distribuir nas áreas mais precárias que são os maiores bolsões de pobreza daqui”, finaliza.

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