22/07/2016 17h10
A moradora de Ponta Porã criou um blog para fazer uma carta onde relata o caso de falta de respeito com a vida humana
“Eu, Rosana Aparecida Rodrigues, mãe do anjinho João Gustavo Rodrigues Fernandes, brasileiro, nascido no dia 22/05/2012 em Ponta Porã-MS e que veio a óbito no dia 28/05/2016 no Hospital da Vida de Dourados-MS; Venho através desta, relatar a verdadeira história dos acontecimentos que levaram o meu filho a óbito”.
“No dia 27/05/2016 levei meu filho ao Hospital Regional Dr. de Simone Neto de Ponta Porã, com os seguintes sintomas: vômitos, diarreias, dor abdominal e muita febre, onde recebeu o primeiro atendimento e tratamento. No dia seguinte, em razão de ter piorado o quadro clínico e pelo provável diagnóstico de apendicite o invaginação (CID K56, K35) e pelo hospital não dispor de cirurgião pediátrico, foi solicitado a transferência de urgência (vaga zero) ao Hospital da Vida em Dourados, o mesmo, logo em seguida deu a confirmação que havia vaga e que um médico pediatra o estava esperando para atende-lo e encaminha-lo ao Hospital Universitário de Dourados. Sendo assim, foi providenciado os trâmites e a ambulância para transladar a Dourados o meu filho, com um médico, uma enfermeira e eu como acompanhante, dando entrada ao Hospital da Vida às 10h30, meu filho foi transladado da maca da ambulância para a maca do Hospital, o levaram para um corredor (onde não permitiram minha entrada) aguardando os procedimentos de documentação de entrada. O atendente da recepção me disse que meu filho seria atendido pelo médico pediatra, além de ser assistido pelas enfermeiras e que era para eu ficar tranquila, enquanto faziam os procedimentos de praxe. No entanto meu filho não parava de chorar e me chamar (mãaaae) a gritos e eu do lado de fora estava num desespero e agonia tão grande por não poder estar perto dele. Então uma enfermeira por volta de 12:30hs veio até mim para que eu fosse ver meu filho que só chorava e me chamava, ao entrar me deparei que meu filho ainda estava no corredor com muito frio e pior, que o médico desse hospital ainda não tinha chegado para prestar atendimento e encaminha-lo ao Hospital Universitário de Dourados como foi falado com o pediatra de Ponta Porã. Vendo toda essa situação, exigi que chamem o médico para atende-lo, logo após isso meu filho passou mal, e o levaram para a área vermelha, onde novamente fui impedida de entrar. O médico que o acompanhava no trajeto de Ponta Porã a Dourados, nada podia fazer, já que não era cirurgião. E o pior foi que na área vermelha meu filho também só ficou nas mãos dos enfermeiros, porque o pediatra do hospital não tinha chegado ainda. E eu continuava com a esperança de ver meu filho bem, mas jamais imaginava que a noticia mais triste da minha vida eu iria receber em tão pouco tempo de estar no hospital, foi quando por volta das 13hs vieram me comunicar que meu filho, tão amado, tão querido, que eu cuidei e amei desde o primeiro momento estava morto.
Ainda tentando entender o que havia acontecido, peço o atestado de óbito, que me foi negado alegando que meu filho em nenhum momento recebeu atendimento médico e por isso não tinha como dar o laudo.Com todas as emoções abaladas e quase sem forças tive que ir até a delegacia para comunicar os fatos e requerer o atestado de óbito. Para descobrir a causa da morte levaram meu querido filho ao IML onde ao abrirem seu corpinho foi constatado constipação intestinal e que isso foi a causa da perda do meu amado filho João Gustavo de apenas 4 aninhos.
Compartilho a minha triste história pedindo justiça ao meu filho e que a minha perda sirva de alerta a outras mães na hora de escolher o atendimento adequado aos nossos tesouros já que a mim me foi negado e por isso hoje não posso abraça-lo, beija-lo, restando só a dor, impotência e esperando que a justiça cumpra a sua parte”.
Fonte: Brasiguaionews (Blog Rosana Aparecida Rodrigues)


