19/12/2015 05h50
Outrossim, é bom prestar atenção à malandragem TIPO DOIS.
Divulgação (TP)
Na escola da malandragem ensina-se, há séculos, que se o sujeito for surpreendido pela esposa, em companhia de outra mulher, mesmo que esteja sem a cueca, em situação vexatória, deve NEGAR! Negar, que esteja ali onde é testemunhado o flagrante! Para fugir da cena do “crime”, sair numa disparada louca. Correr o mais rápido que puder, para não ouvir as imprecações da esposa.
Já em casa, deve defender-se sem fraquejar. Olhos nos olhos, com postura de tribuno, convicto, NEGAR! NEGAR! e NEGAR, para convencer. Precisa fazer a esposa crer, que ela teve um ilusão de ótica. Que ele NUNCA ESTEVE naquele local do “suposto adultério”! Ufa!
Falar com impostação na voz, e fingir constrangimento, pela “falsa acusação” de ‘UMA COISA QUE NÃO FEZ”, dizendo à esposa, de que sempre se manteve consciente da sua condição de marido exemplar. Que foi, é, e sempre será fiel ao matrimônio. Que jamais se jogaria nos braços de outra mulher, em detrimento do amor e da dedicação que dispensa a ela,como esposo e aos filhos, como pai. Precisa prova maior, do amor e da dedicação que os une num lar, onde sempre imperou a harmonia?
E nas alegações finais: “Você, meu anjo, teve a visão de algo que nunca aconteceu!”
Essas as premissas que orientam a malandragem, classificada como TIPO UM, que não constitui crime, apenas contravenção. Nesse deslize matrimonial não cabe “delação premiada”, porque a lei não comina segregação em jaula corretiva ao infrator, apenas encargos sociais, como limpar, por algum tempo, as latrinas da rodoviária. Arre égua!
Outrossim, é bom prestar atenção à malandragem TIPO DOIS. Este procedimento do malandro configura crime, a lei prescreve sanção privativa da liberdade e admite a “delação premiada”! O malandro premedita e executa o crime, com toda artimanha, para obter vantagem indevida. Neste caso cabe a “delação premiada” e termina com a internação do malandro em jaula corretiva! Percebeu?
Vejamos agora um caso concreto, de malandragem TIPO DOIS, noticiado pelo jornal “O Progresso”,(ed. 12/13.12.2015), louvando-se em reportagem publicada pela Agência Estado/São Paulo, verbis: “O ex-presidente LULA não tem qualquer relação com os fatos investigados. A Medida Provisória em questão (MP 471/2009) foi editada e aprovada pelo Congresso em 2013, quando ele não era mais presidente da República. Mesmo sem ter sido notificado oficialmente para depor, LULA estará, como sempre esteve, à disposição das autoridades para contribuir com o esclarecimento da verdade.”
O ex-presidente, notificado para depor, exercitando a malandragem, conta uma história, enquanto as provas coletadas pelo MPF e pela PF revelam outra. O acusado, astuciosamente, tenta mudar as datas das emissões das MP´s, para encobrir a verdade! Confira o teor da notícia publicada, conforme as fontes já declinadas:
“LULA assinou as medidas provisórias 471/2009 e 512/2010, que estão sob suspeita de ter sido compradas por esquema de corrupção que envolve lobistas e montadoras de veículos que se beneficiaram de prorrogação de incentivos fiscais definidos por essas normas. O filho mais novo do ex-presidente Lula, LUÍS CLAUDIO LULA DA SILVA, recebeu R$ 2,5 milhões…”
Notificado, o ex-presidente antecipa-se e conta uma estória, enquanto o Dr. Sérgio Moro, municiado com documentos e “delações premiadas”, detendo os elementos essências do crime (“essentialia delicti”) pode concluir que o relato do ex-presidente constitui-se de mentiras. O confronto entre a verdade e a mentira, configura, incontestavelmente, a malandragem do TIPO DOIS.
Há, ainda, a malandragem do TIPO TRÊS – a última e a mais grave – na escala classificatória das malandragens.
A do TIPO TRÊS, é aquela malandragem em que o sujeito nega conhecimento do óbvio uLULAnte. Sua resposta, a qualquer pergunta relacionada com corrupção, é que “NÃO SABIA!”. Com cara de sonso, trejeito de parvo e olhar de Quero-quero, repete: que não sabia! Não sabia, de nada! Todavia, quando fala de si, engrandecendo-se, afiança convicto, com olhar de Carcará e o deslumbramento de uma criança: “—NUNCA ANTES, NESTE PAÌS!” Expressão que gosta de dizer, sentindo-se um Estadista: “Que nunca antes, neste País”, houve outro presidente tão bom quanto ele próprio. Assimilou?
O certo e incontestável é, que NUNCA ANTES NESTE PAÍS, um ex-presidente esteve tão próximo da internação em jaula corretiva; disso parece que ainda não se deu conta (ou finge-se de desinformado) que o MPF e a PF estão, a cada dia mais próximos. Já estão batendo nas portas dos seus filhos.
As malandragens dos tipos DOIS e TRÊS sempre terminam em jaulas corretivas. O que não é bom!
12/13/14.12.2015 (4860) Membro da Academia Douradense de Letras.
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