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domingo, 18 de outubro, 2026

Marçal Filho surge como nome do governo à Prefeitura de Dourados

19/05/2015 13h40

Governador Reinaldo confirmou convite feito ao ex-deputado para se filiar ao PSDB com vistas às eleições municipais de 2016

O progresso

O governador Reinaldo Azambuja confirmou manhã de sábado, em entrevista coletiva no Parque de Exposições João Humberto de Carvalho, que o ex-deputado federal Marçal Filho foi convidado para trocar o PMDB pelo PSDB com vistas às eleições municipais de 2016. “Convidamos o Marçal e outras lideranças porque o Diretório Municipal de Dourados, assim como acontece com as demais Executivas Municipais do partido, está se reforçando para disputar as eleições municipais”, enfatizou Azambuja. “Porém, ainda estamos na expectativa da votação da reforma política no Congresso Nacional para, somente então, passar a pensar nas eleições do ano que vem”, completou o governador.

Ao ser questionado se ele faria o que os antecessores fizeram nas últimas décadas, sempre elegendo os prefeitos de Dourados, Reinaldo Azambuja saiu pela tangente. “Quem vai decidir é o povo, já que eu tenho apenas um voto”, afirmou. “Mas entendo que a sociedade está mais politizada e saberá escolher o nome certo para administrar o município”, argumentou. “Ainda assim, espero que a reforma política, cujo o texto base deverá ser votado na Câmara dos Deputados ainda em maio, melhore as regras do jogo eleitoral”, concluiu.

Ao explicar o convite feito ao ex-deputado Marçal Filho, o governador Reinaldo Azambuja foi objetivo: “Ele (Marçal) contribuiu com o desenvolvimento do Mato Grosso do Sul durante os mandatos como deputado federal e tem uma história de trabalho na vida política”. No entanto, Reinaldo afirmou que toda tratativa para filiação de Marçal Filho ficaria a cargo do Diretório Municipal e descartou que o adiamento da eleição da nova Executiva Municipal, que estava prevista para acontecer noite de sexta-feira e acabou adiada tivesse sido motivado pela indefinição em torno do ingresso do ex-deputado federal no PSDB.

O governador afirmou que o adiamento ocorreu por entender que os Diretórios Municipais precisariam de prazo maior para se organizar e eleger suas Executivas. “O senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, editou resolução destituindo as Executivas Municipais que não tiveram um desempenho satisfatório nas eleições passadas, medida que atingiu cinco Diretórios do PSDB em Mato Grosso do Sul”, explicou Reinaldo. “Esse não foi o caso de Dourados, onde o PSBD recebeu uma votação expressiva, mas o adiamento das eleições do Diretório Municipal se repetiu em outras cidades onde o partido precisa de tempo maior para se reformular”, completou.

Ainda durante a coletiva, o governador Reinaldo Azambuja garantiu que não iria partidarizar seu governo. “Fui prefeito de Maracaju e senti na pele as dificuldades impostas pelo governador do Estado na época, que olhava para minha cidade e enxergava apenas o meu partido político ao invés de enxergar pessoas”, lamentou. “Eu governo para as pessoas, independente de partido político, de forma que o prefeito de outra legenda recebe o mesmo tratamento que dispenso ao prefeito do PSDB”, finalizou.

A reportagem apurou que além de Marçal Filho, outras lideranças políticas foram convidadas para se acomodar no ninho tucano em Dourados. Uma fonte do PSDB confirmou que as conversações para as filiações dos vereadores Silas Zanata, atualmente no Partido Verde (PV) e Nelson Sudário, atualmente no Partido Socialista Cristão (PSC) estão bem adiantadas e devem ser concretizadas nos próximos dias. Como a Lei nº. 9.096/95, define em seu artigo 18 que para concorrer a cargo eletivo, o candidato deverá estar filiado ao respectivo partido pelo menos um ano antes da data fixada para as eleições, majoritárias ou proporcional, as filiações de Sudário e Zanata devem ser efetivas até, no máximo, o último dia do mês de setembro.

Marçal

Procurado para falar sobre o convite feito pelo governador Reinaldo Azambuja, o ex-deputado federal Marçal Filho afirmou que deverá anunciar sua decisão nas próximas semanas. “De fato, recebi o convite e me senti lisonjeado por meu nome ter sido lembrado pelo Diretório Municipal e pela Executiva Estadual do PSDB”, afirma. “Tenho muito respeito pelo PSDB, mesmo porque estive filiado nesta legenda na época em que o hoje senador Aécio Neves era deputado federal e líder do partido na Câmara, período em que estreitamos nossa amizade”, lembra Marçal Filho.

O ex-deputado confessa que ainda não decidiu seu futuro. “O certo é que não continuarei no PMDB por não concordar com a ditadura do partido, sobretudo no comando do Diretório Municipal”, avisa. “Ademais, não posso confiar em uma legenda que não honra seus acordos públicos, como o que aconteceu em 2012, por exemplo, quando o comando da legenda passou meses anunciando que teria candidatura própria à Prefeitura de Dourados e que o nome escolhido seria aquele que estivesse liderando as pesquisas, mas, na última hora o Diretório Municipal se decidiu por esse projeto”, ressalta.

Marçal Filho também abriu mão de uma eleição praticamente certa à Câmara dos Deputados, quando estava no mandato de deputado federal, para compor um projeto do PSDB. “Na época eu liderava todas as pesquisas para deputado, mas o partido precisou que eu abrisse mão dessa candidatura para ser vice na chapa liderada pela senadora Marisa Serrano na disputa com Zeca do PT, e por pouco não vencemos aquela eleição”, lembra. “Tenho história com o PSDB, ainda não tenho uma decisão em relação ao convite do governador, mas tenho certeza que estarei muito a vontade no partido se aceitar esse desafio”, finaliza Marçal Filho.

Caso Marçal Filho deixe o PMDB será a segunda baixa importante no Diretório Municipal de Dourados. Na semana passada, a vereadora Délia Razuk anunciou que estava deixando a legenda para disputar a Prefeitura de Dourados em 2016. Ele afirmou que não existe mais clima para sua permanência no partido e que desde o ano passado deixou de ser uma soldado do PMDB. “A cúpula do partido nunca deu respaldo para o meu trabalho, mesmo eu sendo a única vereadora da legenda na segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul”, reclamou. “O comando do partido nunca reconheceu meus esforços em favor do PMDB e, tampouco, valorizou as renúncias que fiz em nome do partido”, argumentou. “Ademais, não recebi qualquer respaldo do comando estadual ou do Diretório Municipal quando disputei uma cadeira na Assembleia Legislativa, pelo contrário, o PMDB preferiu colocar seus candidatos a deputado federal para dobrar com nomes de outras legendas ao invés de prestigiar a candidatura de alguém que sempre honrou o partido”, desabafou Délia Razuk.