A subtenente foi morta a tiro no final da manhã desta segunda-feira (6), no bairro Estrela Dalva, em Campo Grande.
O marido da subtenente da Polícia Militar, Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, apresentou versões contraditórias sobre a morte da vítima, encontrada com um tiro no pescoço dentro de casa, no Conjunto Habitacional Estrela d’Alva I, em Campo Grande, nesta segunda-feira (6)
Conforme apurado no local, o homem, Gilberto Jarson de 50 anos, deu ao menos quatro versões diferentes às equipes policiais e saiu preso e algemado, suspeito do crime. Inicialmente, afirmou que a subtenente pegou um revólver da própria corporação e tentou tirar a própria vida. Segundo ele, ao tentar impedir, segurou a mão da vítima, momento em que o disparo ocorreu.

A versão passou a ser questionada após relatos de testemunhas. Uma vizinha pulou o muro da residência ao perceber a situação e acionou um policial à paisana, que teria encontrado o suspeito com a arma em mãos. Em outro momento, o homem disse que o revólver estava no chão, o que reforçou as contradições.
Diante das inconsistências, o suspeito foi encaminhado para a delegacia, algemado e com muita comoção pública. O suspeito é colocado no camburão enquanto vizinhos gritam “vagabundo” e “assassino”. O caso é investigado pela Polícia Civil, que não descarta a hipótese de feminicídio.
Ainda conforme apurado pela reportagem, o homem possui antecedentes por roubo, homicídio e violência doméstica. Ele não é policial militar.
Conforme informação dos agentes no local, o casal mantinha relacionamento há cerca de um ano e meio e morava no imóvel, que pertence à vítima, há aproximadamente um ano e quatro meses. Segundo a Polícia Militar, não havia registros anteriores de ocorrências envolvendo os dois.
Vizinhos relataram histórico de brigas frequentes. “Eles brigavam muito, eu escutava ele gritando”, contou uma moradora. Segundo ela, a subtenente era discreta e bem-quista. “Ela nunca fez escândalo, era muito querida”.
Outros moradores afirmam que, após o relacionamento, a vítima teria se afastado de amigas. Também há relatos de comportamento agressivo recente por parte do homem. “Esses dias ele estava surtado, chutando o portão”, disse outro vizinho.
Marlene ingressou na Polícia Militar na década de 1990 e integrou uma das primeiras turmas femininas da corporação no Estado.
Em nota, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul informou que recebeu a morte com profundo pesar e se solidarizou com familiares, amigos e colegas de farda. A corporação pediu respeito à dor da família e cautela na divulgação de informações não confirmadas, destacando que as circunstâncias do caso ainda estão sendo apuradas. O Comando-Geral também informou que equipes foram designadas para prestar suporte aos familiares.
Se o caso for confirmado como feminicídio, será o primeiro registro em Campo Grande e o nono em Mato Grosso do Sul neste ano.


