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quarta-feira, 28 de outubro, 2026

Mês do dentista: 5 em cada 10 brasileiros têm medo de ir a consultas odontológicas, mostra pesquisa

Levantamento da Simples Dental, principal software de gestão odontológica da América Latina, revela que 57% dos entrevistados já adiaram visitas ao consultório por seis meses ou mais devido à apreensão ou medo diante de certos procedimentos

O som do motorzinho, a anestesia, a lembrança de uma consulta difícil na infância: não é segredo que muitos brasileiros sentem algum nível de resistência na hora de ir ao dentista. Em alguns casos, esse receio é tão intenso que chega a afastar o paciente do consultório, um quadro que tem até nome: odontofobia.

E o tema está longe de ser exceção. Em alusão ao Mês do Dentista — em outubro, é celebrado o Dia Mundial do Dentista (03) e o Dia do Cirurgião-Dentista (25) — um estudo da Simples Dental, principal software de gestão odontológica da América Latina, ouviu 500 brasileiros de todas as regiões do país e descobriu que 50% dos entrevistados têm medo de ir ao dentista. Desses, 20% relataram até mesmo quadros de ansiedade antes das consultas.

Uma das principais consequências desse cenário é o adiamento das idas ao consultório, o que pode comprometer diretamente a saúde bucal. Segundo a pesquisa, 35% dos respondentes afirmaram já ter adiado consultas odontológicas por pelo menos seis meses, enquanto 22% chegaram a ficar mais de um ano sem atendimento pelo mesmo motivo.

Mas, afinal, de onde vem esse receio? Para 64,6% dos entrevistados, o medo da dor, das agulhas e da anestesia é o principal agravante. Em seguida, aparecem as experiências ruins no passado, especialmente na infância (50,2%), e o barulho, o cheiro ou a aparência dos equipamentos (36,2%).

Mês do dentista: 5 em cada 10 brasileiros têm medo de ir a consultas odontológicas, mostra pesquisa

Para Samuel Suhwan Oh, Diretor de Marketing da Simples Dental, os dados mostram que a relação com o dentista começa a ser construída muito antes da consulta. “Muitas vezes, o paciente chega ao consultório carregando experiências anteriores, algumas delas desde a infância, o que pode acompanhar a pessoa pelo resto da vida e influenciar a forma como ela cuida da própria saúde bucal. Isso mostra que a confiança é um ativo que se constrói ao longo do tempo. Para clínicas e consultórios, entender essa jornada é o primeiro passo para criar uma relação mais tranquila e duradoura com quem atendem”, afirma.

O executivo também vê na tecnologia uma aliada para transformar essa percepção. “Se o ambiente e os equipamentos do consultório são fatores que geram receio, a modernização da clínica à forma como o atendimento é organizado, ajuda a construir uma experiência mais confortável e previsível para o paciente. Nesse cenário, o dentista pode usar a tecnologia a seu favor, buscando equipamentos mais modernos e amigáveis, que tornem a experiência mais confortável para quem tem receio.”

Atendimento humanizado: a construção de uma relação

Se o medo afasta, a pesquisa conclui que o acolhimento aproxima. De acordo com o estudo, atendimentos acolhedores mudaram positivamente a percepção de 76% dos brasileiros em relação ao dentista – seja porque envolveram mais cautela durante o procedimento, explicações claras e pausadas ou, ainda, palavras encorajadoras vindas do profissional.

O impacto dessa proximidade nas clínicas e consultórios, vale dizer, também aparece no bolso: a maior parcela dos entrevistados (34,4%) destacou que pagariam 10% a mais por consultas humanizadas. Já 23,2% dos respondentes pagariam até 20% a mais por esse tipo de atendimento, ao passo que 14,4% investiriam até 30% a mais. Os números mostram o que, para muitos, pode não ser novidade: na prática, a qualidade do atendimento pesa tanto quanto o conhecimento técnico do profissional.

Mês do dentista: 5 em cada 10 brasileiros têm medo de ir a consultas odontológicas, mostra pesquisa

Além de amenizar o medo, essa diferença no cuidado cria vínculos duradouros: não por acaso, hoje, 6 em cada 10 entrevistados afirmaram ter um dentista de confiança, com quem se sentem à vontade para dialogar e expor suas visões sobre o próprio tratamento.

“O atendimento humanizado deixou de ser um diferencial e passou a fazer parte da estratégia de qualquer clínica que queira crescer de forma sustentável. Quando o profissional conhece o histórico do paciente, se comunica com clareza e acompanha cada etapa do tratamento, ele tranquiliza quem tem receio e, ao mesmo tempo, fideliza. Para quem atua de forma autônoma ou está começando, essa relação de confiança é o que sustenta o consultório no longo prazo”, destaca Samuel. 

Tecnologia e proteção de dados como aliadas da confiança

Além do atendimento clínico mais humano, no estudo, a Simples Dental identificou que a experiência digital ganha cada vez mais relevância na relação com o paciente. E, nesse campo, a proteção de dados se destaca: é um dos fatores que mais comunicam cuidado e atenção com o público, segundo 64,2% dos entrevistados, à frente até de aspectos como a facilidade para agendar e confirmar consultas (61,4%).

Mês do dentista: 5 em cada 10 brasileiros têm medo de ir a consultas odontológicas, mostra pesquisa

O dado acende um ponto de atenção para clínicas e consultórios: embora a proteção de dados seja considerada essencial, a maioria dos entrevistados (58,8%) afirma que, de acordo com experiência pessoal, as clínicas não pediram autorização ou explicaram como guardam ou usam suas informações.

“A confiança do paciente também passa pela forma como a clínica cuida das informações dele”, avalia Samuel. “Ser transparente sobre quais dados são coletados, como são armazenados e para que são usados é uma forma simples de demonstrar respeito. Com uma gestão organizada e ferramentas seguras, o profissional ganha tranquilidade para focar no que realmente importa: o cuidado com cada paciente”, conclui. 

Metodologia

Entre os dias 16 e 19 de outubro, foram entrevistados 500 adultos (maiores de 18 anos) residentes em todas as regiões e conectados à internet. O índice de confiabilidade do levantamento é de 95%, e a margem de erro é de 3,3 pontos percentuais. Ao todo, os participantes responderam a 10 perguntas, que investigaram a relação dos brasileiros com os dentistas, o que mais os afasta e os aproxima dos consultórios e como a tecnologia também impacta nesse contato.

Fonte: Júlia Mariano