Quando Charity Lee tinha seis anos de idade, sua mãe atirou e matou seu pai em casa, no Texas (EUA), e mais tarde foi absolvida.
02/11/2018 13h30 – R7
Quando Charity Lee tinha seis anos de idade, sua mãe atirou e matou seu pai em casa, no Texas (EUA), e mais tarde foi absolvida.
Quando adolescente, Charity era boa aluna e atleta, mas desenvolveu problemas de saúde mental e se tornou viciada em drogas.
Quando ela tinha 18 anos, pediu ajuda e conseguiu parar. Foi então para a universidade estudar Ecologia Humana – analisando como as pessoas reagem ao ambiente.
“Desde que me entendo por gente, sou fascinada com o ‘porquê de as pessoas fazerem o que fazem'”, diz Charity. “Gosto de entender o que mexe com as pessoas.”
Mas isso não é apenas objeto de estudo, e sim algo com que ela convive todos os dias. Por causa de seu filho Paris.
Quando tinha 13 anos, o adolescente esfaqueou a irmã de quatro anos, Ella, até a morte.
Ele está preso há 11 anos e pode ficar na cadeia até os 50 anos de idade.
Mas como lidar com uma tragédia como essas?
Como uma mãe pode entender que seu filho é sociopata?
E o amor incondicional ainda pode ser possível em uma situação tão terrível?
O início dessa história
Quando estava na faculdade, Charity descobriu que ficar sóbria não era fácil.
“Eu estava infeliz. Todo mundo ficava me dizendo ‘Se você ficar sóbria, a vida vai ser muito melhor’. E ela não era, não era de jeito nenhum! Porque toda a dor que eu estava encobrindo com as drogas estava saindo para a superfície.”
Depois de ficar “limpa” e infeliz por quase um ano, Charity se deu três meses para tomar uma decisão.
“Eu sei que isso é um pensamento adolescente, mas decidi que, se não estivesse feliz até lá, acabou. Já chega de viver essa vida.”
Então Charity descobriu que estava grávida, “e isso mudou tudo”.
“Acho que nunca amei alguém tão intensamente quanto aquela criança crescendo em mim.”
Charity batizou o bebê com o nome do mitológico príncipe grego Paris.
As coisas não se tornaram perfeitas da noite para o dia, mas ser mãe a motivou a viver uma vida melhor – por seu filho.
Nove anos depois, ela engravidou novamente. Desta vez teve uma menina, Ella.
Ella também era um bebê que não dava muito trabalho. “A maior diferença entre eles era que Paris era mais introvertido e tímido, enquanto Ella era uma pimentinha, muito agitada! Era extrovertida, teimosa e determinada.”
Eles dois se davam bem. “Paris parecia realmente amar muito Ella. E Ella adorava Paris.”
‘Sem motivo para preocupação’
“Paris era um bom menino, era muito calmo a maior parte do tempo. Tinha seus momentos, como toda criança, mas não posso dizer que fosse algo que me causasse grande preocupação.”
Charity é categórica sobre nunca ter se preocupado em relação a ele naquela época.
“Quero dizer, olhando para trás, algumas coisas que ele fez podem ter sido sinais de alerta, mas no momento em que acontecem você pensa: ‘Tudo bem, isso é coisa de criança’.”
Mas nem tudo era um mar de rosas.
Charity tinha conseguido se manter longe das drogas por muitos anos, mas não estava livre das garras do vício.
Por um período de seis meses, ela teve uma recaída com cocaína quando Paris estava com 12 anos e Ella, com três.
“Foi um período realmente muito difícil. Eu não deixava de cuidar das crianças, mas obviamente estava tendo problemas e estava alterada. Paris assumiu a responsabilidade e cuidou mais de Ella.”
Charity diz que ainda estava funcionando como mãe, mas era difícil para o filho perceber que os pais são “falíveis, humanos e cometem erros”. “Acho que foi muito devastador para Paris.”
Enquanto a filha tentava consolá-la com um abraço, “ele ficava muito zangado comigo”.
Paris havia dito à polícia que estava dormindo, acordou e viu que Ella era um demônio em chamas.
Então ele pegou uma faca e tentou matar o “demônio”.
Nos primeiros três meses, Charity realmente queria acreditar em Paris.
Ela queria acreditar que o filho estava doente. “E ele estava, mas eu queria acreditar que ele estava doente de um jeito diferente.”
“Eu olhei para ele e disse: ‘Eu prometo a você agora a mesma coisa que prometi no dia em que você nasceu. Eu realmente não sei como ser sua mãe, mas serei sua mãe da melhor forma que puder e vou te amar não importa o que aconteça.”
“Eu queria que Paris soubesse que meu amor era incondicional.”
O garoto ficou não esboçou reação durante muito tempo. E, quando reagiu, foi assustador.


